quinta-feira, dezembro 26, 2002

eu queria que ele soubesse que 'afinal, somos amigos'. porque ele me abraçou mesmo sabendo que era o abraço de outra pessoa que eu queria. e é por isso que eu gosto dele apesar de tudo. das indas e vindas. por ele me conhecer, ou saber como funcionam as coisas.

segunda-feira, dezembro 16, 2002

sometimes i’m not worth you
and don’t know where you sleep
sometimes i’m not worth you
i’m barely here

domingo, dezembro 15, 2002

- Me diz onde dói.
- Eu não sei.
- Aqui?
- Não.
- Aqui?
- É, um pouco, não sei. Pára de encostar em mim.
- Eu só tô querendo ajudar.
- Apertando onde dói tu vais ajudar?
- Vou saber onde, e...
- Vais fazer parar?
- Talvez.
- Não quero correr esse risco.
- Mas é assim que funciona. Eu descubro onde dói e vejo se tem como fazer parar.
- Daí é tarde demais. Daí tu já me machucasses.
- Ai, como tu és...
- Prevenida?
- Não!
- Sou sim.
- Se você fosse prevenida não estaria machucada.
- Algumas coisas são inevitáveis.
- Eu sou uma delas?
- Não. Eu te odeio.
- Por quê?
- Por ter me machucado.
- Então eu sou inevitável?
- Não (mais). Não quero falar sobre isso. Só vai embora.
- Por que pedisse pra eu vir, então?
- Porque eu sou tola. Vai embora.
- Vai continuar doendo?
- Se tu não ficares cutucando, logo passa.
- Certeza?
- É. Vai embora. Eu te chamei pra me ajudar e tu acabasse me machucando.
- Eu não tive a intenção.
- É, claro que não teve. Mas também não te importas.
- Pára de ser assim, você é louca.
- Problema meu.
- Tá. Eu vou indo então.
- Não te importas, né?
- Tá vendo como você é?
- Te importas ou não?
- Me importo. Mas sabes que não posso fazer nada além disso.
- Fizesse algo além disso...
- Eu não sei o que te dizer. Preciso ir.
- Como sempre.
- Não seja assim.
- Tchau, tchau... Eu fico melhor sozinha.
- Quer que eu chame alguém pra te ajudar?
- Não. Sai daqui.
- Te cuida.
- Jogador...

quinta-feira, dezembro 12, 2002

"Ele me pediu pra devolver todos os presentes. Todas as caixas, todos os cartões, todos os beijos e as promessas de que ele nunca iria me deixar.
Eu devolvi sem mágoa, junto com os restos de bom senso que eu insistia em preservar. Depois, deixei as saudades junto com o lixo do apartamento dele que eu levei pra fora. Deixei tudo lá, prometendo que nada daquilo jamais me perseguiria.
Prometi, pra mim mesma, que acharia alguém melhor e fingiria me apaixonar. Emagreceria, compraria um vestido azul, faria novos amigos e teria um compromisso agendado pra cada fim-de-semana pelo resto do ano. Prometi sem saber. Prometi perdida no espanto que foi pra mim o fato de ele me deixar. Prometi por medo de não ter mais nada, nem por fora e nem por dentro. [...]"

Dessas histórias incompletas que eu insisto em contar pra não esquecer do que me fez perder.

quarta-feira, dezembro 11, 2002

Aqui do mundo real:

Eu imagino se você sabe que eu tô triste e chorando e que é por tua causa, e ao mesmo tempo não. É, porque algumas coisas só tu entenderias e é difícil de sentir quando eu não te tenho ao meu lado pra concordar e entender. E entender o porquê de eu não ir pra aula. Entender o porquê de eu dormir tanto. Entender o porquê do meu silêncio.
Só tu que não me acharias uma tola por chorar vendo as luzes daqui, algumas delas.
Só tu que ouvirias opiate slopes comigo, à noite, abraçados, sem dizer que o que eu ouço anda depressivo demais. E daí seria daquelas coisas lindas e calmas e perfeitas. E eu teria o que ninguém mais tem. E quando eu enlouquecesse e rasgasse o que eu tenho pra estudar, tu dirias pra eu esquecer. Sentarias ao meu lado e me abraçarias. E depois, como se eu fosse uma criança mimada e boba, me mostrarias que eu preciso estudar sim, e que não é tão difícil, after all. E eu teria que ver, de uma vez por todas, que não é o fim do mundo. Que o que importaria seria que estaríamos juntos, o que quer que acontecesse. Talvez você até me beijasse demorado enquanto eu tivesse com o rosto todo coberto de lágrimas, e comprasse nossas passagens e nós voltaríamos pra casa. E me desculparia por qualquer erro de português. E ririas dos meus ciúmes e dos meus protestos diários de "o mundo é injusto". E nos finais de semana decidiríamos juntos o que fazer. Convidaríamos 'nossa' melhor amiga. Ouviríamos Teenage Fanclub, pra dar aquele ar de "tá tudo bem". E eu te contaria coisas sobre os lugares da cidade onde a gente estivesse passando. E tu esquecerias tudo depois de uma semana, como sempre. Ou não prestarias atenção, mas isso não me incomodaria.
Sentaríamos, eu com as pernas entrelaçadas e apoiada no teu ombro e tu me afastando porque terias algo pra fazer. Mas no final eu sempre ganho. Até que se prove o contrário e eu tire o sorriso bobo do rosto. Talvez a gente cozinhasse juntos, ou chegasse à conclusão de que nenhum de nós cozinha tão bem assim. Daí teríamos a 'nossa' pizza e os nossos olhos e as nossas histórias. E seríamos felizes pelo simples fato de que isso ninguém poderia nos roubar. Não mais.
E eu acordaria, feliz por um sonho bom em meio a tantos pesadelos.

segunda-feira, dezembro 09, 2002

Estava triste. Ele sabia. Sempre sabia quando ela/eu estava triste. E sabia o porquê e sabia o quanto e sabia como; lia suas verdades tatuadas no azul dos olhos dela. Agora já vermelhos de lágrimas.
Sabia que por trás daquele sorriso e daquele esforço pra tudo ficar bem, ela chorava. Sabia que ela fingia bem até demais. Que sofria por não conseguir se livrar do que ela considerava uma obrigatoriedade de fazer o bem pra todo mundo, menos pra si mesma. O que não sabia era que pra ela era mais fácil fazer aos outros, porque nunca conseguia decidir o que queria ao certo.Porque nunca soube. E quando sabia, era tão fácil achar uma desculpa... Era tão mais fácil não ver do que admitir que estava tudo bem. Tão mais fácil reclamar que seus relacionamentos não duravam. Tão mais fácil ficar sozinha e não ter que dever nada a ninguém.
E no final, tão mais fácil achar que tudo acaba por qualquer errinho bobo...
Pra não ter que pensar a respeito. Nem pedir desculpas. Nem reconhecer.
Pra não ter que achar um jeito de contornar os problemas, e não ter que conversar.
Ela odiava conversar. Preferia trancar-se num quarto e chorar e assumir toda culpa. Não gostava de conflitos e/ou simplesmente não se dava ao trabalho de discutir. Fechava os olhos e queria que tudo sumisse. Queria que se resolvesse assim. Que o tempo voltasse, talvez.
Mas nada sumia e nada voltava. Então ela reconhecia seu erro, estragava tudo um pouco mais e ía embora. Por ser covarde. Por ser cansada. Cansada daquele pseudo-altruísmo na qual a enquadravam. Ela não se dava ao trabalho, na verdade. Era comodista. Só isso.
Então ela tentava se definir. Tentava se encaixar, se explicar. Tentava se convencer de que estava tudo bem. Tentava não precisar de remédios, pra não parecer uma fraca idiota hipocondríaca. Pra não ser rotulada por todos aqueles babacas que se achavam no direito.
Ela tentava. Como também tentava muita coisa mais, quando, às-vezes-com-certeza-a-maioria-do-tempo, preferia sumir. Calma como sempre. Suave como nunca. Sumir.

quinta-feira, dezembro 05, 2002

Ele podia ver por trás dos olhos dela o que ela queria, toda vez que ela fingia dizer algo. E ela acreditava que podia alimentar-se pra sempre do calor que sentia toda vez que seus olhares se cruzavam.
Achavam eles tão diferentes. Tão iguais. Achavam, esqueciam.
Esqueciam e davam importância a outras coisas.
Ela encontrava ali o seu alívio. E não conseguia jamais deixar de temer o mesmo fim que por tantas vezes ocorreu. Mas era assim que seria. Qualquer um saberia. E ela deveria ver isso no modo como ele beijava sua mão. No modo como ele ao mesmo tempo não se importava. No modo como ele sorria. No modo como era mais engraçado do que real.
E ele deveria... Ele deveria. Porque ela não achava nele nenhum defeito. Porque era perto dele que ela queria estar.

terça-feira, dezembro 03, 2002

Faça você mesmo

Ele é bonito e engraçado. E não importa o resto. Não dessa vez.

quarta-feira, novembro 27, 2002

Over.reaction;

Acho que é normal gostar de olhar de dentro pra fora o nome escrito ao contrário num vidro. Ter fotos com amigos. Ter dedicatória. Normal surtar de vez em quando. Normal que ninguém entenda, às vezes. Normal que Ele sempre ache o errado. (Ele até aqui? Desde sempre.)
Normal ter raiva: raiva de todos me culparem por eu ser efêmera demais sem notar que eu só me "adapto". Não, não vou deixar o realismo desculpar meus erros. Que foram sim, mas não tantos.
E que talvez sejam por eu simplesmente ser uma covarde. Por eu fugir sempre que me machuco. Por fugir mudando. Por enxergar isso agora, em tão pouco.
Por eu saber que eu sei esquecer como eu quero. Por, quando não passar, ser pura teimosia. E tá sendo sim, mas só até eu achar alguém que eu ache que me faz mais bem. Só até existirem olhos que me agradem mais. Era isso que Tu querias ouvir, eu sei. Então tá, tu passas. Eu te esqueço um dia, impulsionada pelos teus atos. Irritada, sim, mas não contigo. Irritada por ser tão pouco e eu me importar. Irritada por eu ter perdido o pouco-quase-nada que eu te tinha por causa dos meus erros idiotas, meus atos e fugas mal pensados. Não é mais 39,5%, né? Não, não é.
Então vamos ser amigos. Vamos fingir. Não que eu não queira. Não que eu não goste da tua presença mesmo com tão pouco. Mas tu és mais paixão-de-escola. E disso eu não gostei: de tu querer me julgar sem saber. E achar fácil. Claro, tudo é fácil. Claro, só tu que...
Ah, e vou me arrepender disso. E eu sei que é isso que afasta. Que é esse meu jeito assustador-agressivo-exagerado de reagir. Mas calma, na vida real não é tanto assim. Aqui eu somo. Sério. Aqui eu digo algo que diminua minha insônia. Que amenize meu bruxismo. Que soe desabafo. Canso de mim mesma mais que o normal. Digo mais que o normal. Digo que gosto de ti, que merda. Não 'daquele jeito'. Não como amante. Não como namorada. Não como uma psycho apaixonada. Não como amor-da-minha-vida. Gosto de ti bem mais fácil. Gosto dos teus olhos e de segurar na tua mão (e do teu beijo, mas isso eu sei que não posso, então um dia eu conserto.) e do teu cabelo macio e da tua altura e de mais coisas que eu não posso dizer aqui. (E que não são as que tu estás pensando, eu garanto.)
Gosto leve e lento e doce. Gosto bem daquele jeito como foi entendido na primeira vez que tu pegasse na minha mão, lembra? Gosto assim. De surpreender mas não assustar. De querer mas não precisar.
De quando eu sentia mas tinha (bem mais) medo de dizer.
Deixa estar.

quarta-feira, novembro 20, 2002

2 rights make 1 wrong

...E o contrário?
Agora nada. Agora só meu corpo querendo estar junto do Dele de novo. Agora só a saudade. Agora só tudo que eu quero ser pra Ele e não sou. Agora só as fotos. Agora só os papéis riscados. Agora só a lembrança do cheiro Dele. Agora só a verdade. A minha. Agora só a minha vida só com meus problemas, sós. Agora eu tento ser eu, eu que agrado. Eu que estranhamente eu fui, toda e totalmente, aquela vez. Aquela vez.
Agora devagar. Vai, eu consigo. Agora calma pra não estragar tudo. Agora, quatro minutos e cinqüenta e três segundos depois.
Ainda.Ele.

sexta-feira, novembro 15, 2002

If all we had were stars

Saudades enormes, mas não conta pra ninguém.
Já vi teu rosto em algumas pessoas, ao acordar. Já quis que fosse real. Já descobri que não mereço. Queria saber como continua.

quarta-feira, novembro 13, 2002

Someday

Te reconstruí, juro, depois que te fosses. Peguei todos os teus pedaços do chão e tentei montá-los da melhor forma possível. Tentei dar o mesmo brilho aos teus olhos, a mesma beleza ao teu rosto, tentei encontrar carinho no teu sorriso que eu tive que montar com lentidão.
Até quando eu sabia que não era isso. Até quando eu sabia que eu só precisava de alguém que me desse carinho. Até quando eu sabia que só queria um pouco (mais) da tua atenção, e que tu eras incapaz de dá-la. Até chorando, me ajoelhei sobre os teus pedaços pontiagudos a fim de dar a cada um deles um pouco da tua forma. E me machuquei. Mas tentei mil vezes depois. Tentei fazer com que, mesmo distante, notasses o que eu fazia por ti. Uma luta cega e boba e que todo mundo julgava sem sentido. E foi. E era. E é.
Ironicamente, és o que eu mais guardo de passado. Embora eu seja esse teu contrário. Embora sejamos algo que se esqueceu de acontecer, és o que eu diria passado. Por seres a única coisa que me prende. Minha única possibilidade de enxergar que eu não sou tão feliz assim.
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És quem pior me trata. Quem menos se importa. Quem menos me abraça. Quem mais me irrita. Quem mais machuca.
E por isso, às vezes, eu não sei. Por isso e talvez só por isso e porque existe alguém que me faz bem. O que me importa, então? É, I wish...

domingo, novembro 10, 2002

- Eu tava pensando...
- No quê?
- Na gente.
- Na gente?
- É. Não na 'gente' mesmo. Mas...
- No mundo inteiro?
- Não. Em mim e em ti, mas não como nós.
- Ah...
- Sinto tua falta. Sinto falta do teu jeito.
- Tu não sabes o que tu queres.
- Às vezes sei.
- Mas muda. O tempo todo.
- Mas...
- Desculpa, é que é fácil perceber.
- Por que não dissesse isso antes?
- Pensei que soubesses.
- Sabias que não.
- Pensei que talvez fosse melhor assim. Pensei em tentar.
- Sabe... Eu tenho medo.
- Do quê?
- Disso que eu sou. De ser assim. De não saber.
- Não pensa tanto.
- Acho que não consigo.
- Deixa o que é passado pra trás.
- Mas eu não sei o que é passado e o que é presente.
- Não é difícil.
- Pra mim é. Vê, eu sempre insisto em voltar.
- Acho que é medo.
- É, mas do quê?
- Olha, eu acho que algumas coisas tens que descobrir sozinha.
- Não me deixa. Eu já tentei tanto, tô cansada.
- Olha, espero que passe. Gosto muito de ti.
- Mas não podes me beijar?
- Não, entende. É melhor assim.
- Eu gosto de ti, também. Gosto de muita coisa em ti. Do jeito que me fazes rir. Ninguém consegue isso. E te acho tão...
- Shhh... Deixa pra lá. Você vai achar alguém melhor.
- Mas...
- Vai sim. É sempre assim. Sempre foi assim.
- E o que eu faço enquanto não é?
- Desculpa.

sexta-feira, novembro 08, 2002

why so green and lonely?
How I Made My Millions

i was stronger
i was better
picked you out


now don't say a word
no don't yell out
never mind


let you out
led you back
stay on
sit down


let it fall
let it fall
let it fall
let it fall


I'd still be on my feet

terça-feira, novembro 05, 2002

Não sei se prefiro brilhar forte o bastante pra me apagar mais rápido

É, ele se veste bem. E anda com esse idiota. Gostei dos tênis. Hm... vai sentar... sim! Um pouco atrás de mim, great! Realmente se veste bem. Jeitão, bonito. Olhos bonitos. Gostei do cabelo. Olhos lindos. Olhos... me olhando? Ahm... Isso. Abaixo a cabeça, ele nem deve ter percebido. Agora olho se... droga! Acho que ele notou. Haha, olhou pros meus tênis... Esse é dos meus! Pena que eu não tô usando o igual ao dele hoje. Mas o filme vai começar. Pena que eu nunca vejo ele por aqui. Será que faz RP? Pelo jeito, deve fazer Publicidade. Ahm... Muito bonito. Gostei da aula. E isso me lembra que ele também tá nela. E que ela dura um semestre. (...)
Tomara que ele não saia antes do final do filme. Tomara que ele venha aula que vem.
Levantou. Tomara que passe na minha... Ah, perfume bom. Mas pena que ele já tá indo.
Essa droga de porta abrindo de novo! Ele. Oba, vai passar aqui e vou sentir o perf... Hm.
Acaba. Levanto. Ganho um abraço de verdade. Vamos nós três andando abraçadas no frio. Rimos. E elas até concordam.
Daí DDD recebido e o mundo parece bondoso demais. Devem estar tramando algo. Medo.

segunda-feira, novembro 04, 2002

Há um mês era sexta-feira. Só me arrependo de uma coisa.
Opium

Tá fazendo muito frio, 'só' isso.
Jag gillar dig... - ainda.

Eu lembro dele. E do suor do corpo dele pingando no meu corpo. E das coisas que ele me dizia. E de como ele fazia comigo o que ninguém mais conseguia fazer. E ele não se esforçava. E me fazia formigar da cabeça aos pés. E fazia tudo em mim adquirir um ritmo novo, ofegante.
E daí eu sussurrava no ouvido dele coisas que eu não me imaginava capaz de dizer. Que provassem que nenhum outro corpo tinha aquele efeito sobre o meu. Nenhuma embriaguez. Nenhum prazer não-sexual. Nada.
Nada me fazia sentir aquilo que eu sentia quando a boca dele estava no lugar certo e a mão dele me tocava como nenhuma outra e ele todo em mim me fazia sentir completa em qualquer sentido.
Daí eu acordo e foi só mais um sonho, e saudades. Saudades do que foi, sim. Mas ele talvez seja muito como eu. Talvez seja muito diferente. Mas eu lembro e ele também e isso, orgulhosamente, ninguém vai poder tirar de mim.
Ouviu? Nin-guém. E tu, o que tu tens? O que te sobrou desse orgulho dissimulado e irônico no qual tu insistes em te envolver? Devias saber, desde sempre.
Ele.

Deu pra entender?

quinta-feira, outubro 31, 2002

É difícil pro meu corpo ficar longe do corpo dele. É difícil dormir depois que ouço a voz dele. Oh, you.

quarta-feira, outubro 23, 2002

Me enrola nos teus lençóis sujos. Compra um vinho barato pra mim. Me entorpece em toda essa falta de bom-senso. E depois diz que o que eu ando ouvindo é depressivo demais. Põe a culpa nos meus remédios. Me fala do teu cabelo, como se fosse tudo que eu precisasse ouvir. Põe aquela camiseta. Eu coloco o meu melhor vestido, e a gente sai pra ver a cidade juntos. Me beija só depois da meia-noite, dá mais sorte assim. Mas quando foi que eu falei que eu queria sorte? Quando foi que alguém falou que algum dia deverias pagar algo pra mim? Quando foi que eu te fiz sentir culpado? Quem disse que o filho é teu? (...) Não é assim. Sai. Não é assim.

domingo, outubro 20, 2002

Easy Love

Eu, saudades.
Oi, tudo bem?
No teu pescoço.
Tee Hee.

terça-feira, outubro 15, 2002

"Easy living, easy hold
Easy teething, easy fold
Easy listening, easy love
Easy answers to easy questions
Easy tumble, easy doll
Easy rumble, easy fall
I get up on easy love
I get up on easy questions"
I'm not ready (for love)

Ninguém nunca vai te ter tanto quanto eu te tive em mim. Apesar dessa mágoa. Apesar de tudo. E eu não queria que fosse tudo um problema. Queria que fosse simples. Queria que meus erros fossem justificáveis. Queria ser uma pessoa melhor.
Eu nunca vou ser tanto de alguém como eu fui tua. Por enquanto.

segunda-feira, outubro 14, 2002

Ele nunca teve, ele nunca vai ter alguém como eu.
Você nunca vai ter alguém como eu. Pode desistir.
Pop is Dead

Um dois três e já. Quer saber até quando? Então, entendo: não mais. Ah, claro. Sempre foi. É assim que funciona. Obsessão essa subjetividade. E sempre há um novo dia.

sexta-feira, outubro 11, 2002

Retrocesso.
É o processo.
Obcesso.
Inverso no teu verso de adeus.
Nos meus.
No tudo que não pode ser
Por perceber
O que vem
Só quando convêm.
Por achar
E fingir
E dizer
E saber
E merecer
E faz amor.
E faz falta.
Stand-By-Number-One

Eu queria não sentir isso. Mentira, queria. E queria passar a noite com ele. Desculpa, é errado. E daí? (...) Em casa, com minha camiseta nova do Radiohead. E nada mais. E querendo tanto. Fuck! Passa. Tudo passa. Não é assim que funciona? Mãe? (...) Ahm, errado. Já falamos disso. Já falei que teus sapatos são lindos hoje? Não, né... Mas são. De verdade. Do fundo do meu coração e de tudo mais que há de orgânico dentro de mim. Obrigada pela compreensão. E depois, sou eu que falo demais? (...)
Eu quero. Com tudo. Quero com tudo que eu tenho. Quero com a célula mais inútil do meu útero. Com o ar que melhor preenche os meus pulmões. Quero do fundo do meu estômago. E como quem quer demais. Mas quero. Hoje. E não. Hoje, disseram... Hoje não.

quarta-feira, outubro 02, 2002


The Best You Can Is Good Enough

I`d really like to help you, but...
Não, eu não posso exigir nada. "Entende, é difícil pra mim também: Tô abrindo mão, mas é pra ficar sozinha." Foi o que eu disse, como quem exige algo. Como quem é sincero demais com o que sente. Como quem passaria a noite chorando. Mas noite chorando não combina comigo. Nunca combinou.
E é lindo. O nada tão grande. Ew, eu sei que não.
Dá pra imaginar o quanto dói isso? O "não-poder"? ... É, não dá. Eu sei até de "alguém" que diria que isso não existe. Que é ele que não me quis/quer. Não o suficiente. É, talvez seja. Talvez não. Sabe o que é sofrer por escolha própria? Isso sim. Isso eu admito, do princípio ao fim. Talvez seja um mini-resgate. Talvez seja isso que me afaste o suficiente de todo o resto pra me salvar. Ou eu não quero ser salva. E é muita contradição. E minha dialética é muito diferente às vezes, admitamos.
A verdade é que eu cansei de coisas que são. E não são. E assim sucessivamente. Acho que mais que uma mentira dói um fim. Só nesse caso. Só no caso do "eu não te amo mais". E não é esse o problema. O problema é o quanto eu temo que isso aconteça novamente, qualquer que seja a minha posição.
Agora eu vou viver um presente meio doente. Meio sem vontade pra nada, for a while. Vou crer que nada mais me faz bem. Que ninguém vai me tocar do jeito certo. Que ninguém vai me fazer querer me entregar. Que não vou mais "me jogar", ainda que eu tenha dito isso tantas e tantas vezes. Mas agora o medo é maior. E eu não me dou ao trabalho de lutar contra esse medo. Não mais. Agora eu vou me achar inventando problemas. E vão achar isso de mim. E vão me dizer que eu sempre fui assim. E eu vou querer me conformar. E me dar ao trabalho de mandar tudo à merda, ao mesmo tempo. Sumir e aparecer demais ao mesmo tempo. Chorar e sorrir. Me importar e fingir que não. Te dizer "adeus" e "não pensa que eu fui por não te amar". Ainda que não tenha sido assim.
Ai, e "how is it you feel when you run"? Minha vontade é de nunca mais passar por nada disso. De não (te) achar lindo lindo demais. De não achar que só tu. Que eu guardei essa merda toda dentro de mim como quem quarda espinhos cravados nos pés. Essa merda toda chamada "amor" que diz aquela nossa música que sempre foi. E dizem, acredite, já ouvi... que nós sempre fomos um pouco "meant to be". E eu amei aquela palidez, aquele modo de cruzar as pernas, aquele sorriso, aquela timidez simulada, aquele medo e a irônica sinceridade. Dá pra entender o quanto dói, agora? O quanto eu choraria, se eu soubesse como? O quanto isso é uma pequena prévia (do) que me amedronta? O quanto dói ouvir "Eu não sei o que te dizer"? E como eu não te odeio? Não consigo. Te odiaria se não fosses um veneno do qual eu adoro provar. Se eu não estivesse ocupada demais irritada com o destino. Te odiaria se a mim não bastasse ouvir tua voz pra não querer mais nada. Pra esquecer que, de algumas coisas, eu preciso. Te odiaria, se não tivesse ouvido mil vezes "não se apaixone". Se eu não soubesse do teu medo de me machucar.
E sabe o que? Eu queria que me machucasses. Que me permitisses cair, de bem alto. Que me deixasses. Mas que eu te tivesse antes. Que eu acordasse, depois de muito tempo, jogada numa cama num quarto escuro. Sozinha, chorando. Que eu te sentisse pra sempre "entre meus rins". Que eu continuasse com aquele ritual de passar horas me arrumando toda vez que eu corresse o risco de te ver. E que tu me visses como um passado ruim, talvez. Que eu falasse, um dia, pra uma amiga que confessasse seu amor por ti: "É, ele é uma boa pessoa.". E sorrisse. Eu. E que daí eu visse que era hora de te esquecer. Daí eu me mudaria. Trabalharia, casaria. Teria dois filhos e gostaria mais de um deles. Tentaria o suicídio, de vez em quando. E morrerria numa tarde estranha de outono.
Mas agora eu vou fingir que nada disso aconteceu. É isso, né? Vou te ver beijando alguém e vou tentar não chorar na tua frente. Eu não daria esse mérito a ninguém. Não jogaria no lixo esse meu orgulho chato. Vou usar ele pra secar minhas lágrimas, à noite, sozinha em casa. Vou mudar essa música que odeias mas que te lembra demais.
"When I`m alone and scared, I think of little rhymes. They would make no sense to you, but I make them all the time. And time is all mine. Time is all mine."
Quero desligar.
Um beijo, tchau.

terça-feira, outubro 01, 2002

Minhas mãos, tuas mãos. Meus olhos, teus olhos. Meu cheiro, teu cheiro. Teu corpo, meu corpo. Teu rosto, teu rosto. Teu beijo, teu beijo. Teu gosto, eu gosto.

terça-feira, setembro 24, 2002

Teardrop on the fire

E ele, arrumando sua vida e não se importando, soa tão lindo. Soa toda a calma que eu sempre quis ter e que ele sempre mostrou não possuir. Ele, fazendo as coisas do jeito certo, soa diferente demais. Hard to believe. Eu cometendo mais erros que ele. Quem diria?
Engraçado que ainda assim eu seja o lado mais fraco. E parece que finalmente meu desequilíbrio levou a algo. A querer demais, por outros motivos, dessa vez.
Estranho, né? Confuso também, caso tenhas esquecido desse pequeno detalhe.
Mas amanhã sempre é um novo dia. Ainda que eu não me esforce para tal. E vou tentar entender essa boa fase e sorrir pra ele, as a friend. Pra me confundir ainda mais em tudo que restou. E pra viver, de novo, o meu novo. Eu.

segunda-feira, setembro 23, 2002

Deixa eu te mostrar aquela nuvem lá no céu.

É, lembra? Ela não tá mais lá, visse? Nem as estrelas, que você insiste em dizer que foram erradas. É, só eu sei quanto amor eu guardei. Só.eu.sei :-)

sábado, setembro 21, 2002

Queria não ter esse "nada" tão grande teu.
Queria não amar essas migalhas imundas da tua atenção que largas pelos cantos.
Queria não precisar tanto de algo pra sentir.
Queria que tivesse terminado no "platônico", mais uma vez.
Queria saber o que faço, antes de fazer. Antes de cometer esses erros 'bobos' mais uma vez.
Mas de alguma forma, fazes parecer justo. Ou não. Acho que minto pra achar algum consolo. Pra achar uma justificativa pra tu não te importares, quando tudo o que eu queria era passar mais uma noite ao teu lado. Mas não ter que te ver partir dessa vez. Não, hoje não. Hoje é mais frio ainda do que aquela vez. Hoje já é distante demais e eu ainda insisto em não te esquecer.
Hoje?
Pior dia do mundo, obrigada. Hoje eu não sinto, não existo, não esqueço. Hoje, me desculpa, mas eu não me arrependo.
Algumas coisas, essas que sempre foram só minhas e só tuas. Só minhas ou só tuas ou só nossas. Eu queria que elas nunca fossem, na verdade. Queria que elas nunca fossem de mais ninguém.
Que ninguém mais ouvisse nossas músicas. Ou pior: não queria que eles ousassem falar delas pra mim. Pro mundo. Porque elas são só nossas, sempre foram. Sempre. Tudo, muito. Tudo. O mundo às vezes devia deixar de existir, pra eu viver só do teu abraço. E ah, tem tanta coisa mais, tanta coisa mais... E o muito que tu provas ser a cada dia, ainda que silenciosamente. Ainda que eu tenha que viver isso por nós dois. Ainda.

sexta-feira, setembro 20, 2002

I wish you could break my heart

"E quando eu sentir tua boca me beijar
Teu beijo vai me acalentar
Vou suplicar pra que me beije de mansinho
Com o rosto coladinho
Respirando baixinho
Será que é pedir demais pra mim
Uma garota assim..."

e eu sempre fui só de você, você sempre foi só de mim, eu sempre fui só de você.

Não? Não, né? É, não.

terça-feira, setembro 17, 2002

slow-mo for the masses

Acho que funciona mais ou menos assim: Ele precisa de mim pra poder fazer com que outras pessoas precisem dele. Quase isso. Mas quando eu sei que ele precisa de mim eu passo a precisar dele. Aí ele me abandona, pelas pessoas que precisam dele. Não por bondade, mas porque isso faz com que ele se sinta forte. Faz bem ao ego dele. E anula suas fraquezas. E eu acho repugnante, é inevitável. Acho mesquinha e imbecil. Então eu busco um abrigo qualquer. E depois quando não preciso mais, machuco meu 'abrigo', ainda que sem querer. Mas espero ter acabado com isso hoje, agora que eu descobri.

segunda-feira, setembro 16, 2002

Dói, de um lado do peito que eu nem lembrava que existia. E dói te ver, quando te desfazes na minha frente. E dói muita coisa, you know... Ah, não. Não sabes.

quarta-feira, setembro 11, 2002

LE:91 : makes me feel confused .)

"- Eu podia ligar. Podia deixar de ser orgulhosa.
- Mas ele também poderia...
- Mas ele, sei lá. É diferente.
- Queres falar com ele ou não?
- Ah, queria ouvir a voz dele...
- Então liga, oras.
- Ai, não é tão simples.
- Como não?
- Além do mais, tenho coisas pra fazer.
- Coisas que não vais fazer. Porque vais pensar nele. Vais escrever o nome dele nas tuas folhas e blá blá blá.
- Eu jamais escreveria o nome dele numa folha!
- É? E por que não?
- Não sei, não combina.
- Estranho. Eu queria conhecer esse cara...
- Eu também."

quarta-feira, setembro 04, 2002

Quinze minutos.
Pra pensar o que eu quiser;
Pra chorar por aquilo que eu pensar/ou não que passou.
Quinze minutos pra tentar me entender.
Pra tentar te explicar.
Quinze minutos.
Quinze minutos.
Todo o tempo que eu tenho pra esquecer de todo o resto.
Pra sonhar um sonho lindo.
Pra te ver acordar.
Pra dizer tudo que cabe em palavras.
Que não cabe.
Quinze minutos pra ouvir cinco vezes minha música preferida.
Pra arrumar meus discos.
Quinze minutos pra arrumar minha mala inteira.
Minha vida inteira.
Quinze minutos pra pensar que talvez seja. Pra duvidar.
Quinze minutos pra ouvir tua voz.
Longe.
Love Around the Corner

"Estava cansada. Dos livros, dos discos, da vida toda. Da flor quase morrendo na janela, dos vizinhos, do apartamento decorado de forma estranha. Cansada de tudo. Principalmente, de ter deixado um pouco de viver quando deixou todo mundo pra trás pra fazer o que quisesse. Cansada daquela cidade, daquele constante estado anestésico, dos cabelos curtos, do modo diferente de se vestir. Olhando no espelho, notava-se cansada até mesmo dos olhos castanhos.
Colocou o som alto e sentou-se no sofá verde. Deitou-se. Começou a passar os olhos com lentidão pelo apartamento escuro. Pensou em abrir as cortinas. Pensou em arrumar suas coisas. Em fazer uma viagem. Pensou em ir pra aula de teatro. Pensou em ligar pra alguém. Se tivesse alguém para o qual ligar, ao menos. Juntou, no chão ao lado do telefone, uma velha agenda telefônica. Folheou as páginas, em sua maioria repletas de números de amigos, amigas, ex-namorados, pretendentes. Mas não quis. Faltava quem a entendesse. Faltava quem soubesse o quanto que ela precisava sentir. Faltava. Não existia.
Levantou subitamente, querendo surpreender quem quer que fosse. Quem quer que soubesse. Pegou sua bolsa roxa e saiu. Desceu as escadas sem pressa. Viu em uma das paredes uma frase riscada por ela mesma, há alguns anos, quando voltava pra casa com uma amiga no meio da madrugada. Sorriu, ao ler "Love is all we need" numa grafia que indicava óbvia embriaguez. Lembrou da amiga. E lembrou que não queria lembrar. Que o normal seria pegar o elevador. Mesmo que desde o começo, ela se mudara pra aquele lugar com a promessa de sempre usar as escadas. Mas promessas mudam. Tudo muda.
Saiu do prédio e entrou no café ao lado. Cumprimentou o senhor que trabalhava no Café, e naquele momento se deu conta de que já haviam se passado quatro anos. E ela não sabia sequer seu nome. Não sabia o preço do Capuccino. Não sabia o horário de funcionamento. E era o que ela precisava naquele momento, sentir-se em casa.
Pediu um Banana Split. Sentou em uma mesa do canto, ao lado de uma janela. E enquanto esperava ficou inerte, olhando as pessoas passarem com pressa, com graça, com medo, com vida. E imaginou, como sempre, como seria a vida de cada uma delas. E foi interrompida pelo Banana Split. Sorriu para o garçom. Um alguém com a sua idade, com quem talvez até já tivesse saído algumas vezes, pelo que lembrava. Quis chamá-lo mas não sabia o seu nome. Sorriu, irônica. Sozinha.
Terminou seu sorvete com uma lentidão poética e por lá ficou por mais uma hora. Tinha quase-medo de voltar pra vida. Fazer coisas, ser útil. Terminar a faculdade, procurar os documentos pro mestrado, dar aulas particulares.
Voltou os olhos para o balcão. Certificou-se de que não havia fila no caixa. Levantou-se e foi pagar sua conta. Sorriu tímida para o senhor do caixa. Comprou um bombom e saiu.
E depois daquilo, daquele instante insignicante na sua vida, ainda pensou muito. E foi naquela noite que foi a uma festa como todas as outras, conheceu alguém como todos os outros, bebeu e riu como sempre. E esqueceu que era aquilo que não queria mais. Mas o fez. E fez amor. E teve alguém acordando ao seu lado todos os dias, durante dois longos meses. E terminou como tudo terminava. Até que se mudou do apartamento bagunçado. Deixando pra trás o que não havia sido nada, e ao mesmo tempo tanto. Deixou pra trás aquela vontade de ser importante pra alguém. Deixou pra trás as lágrimas que um dia molharam aquele chão de madeira, velho. Deixou também uma inscrição no fundo do armário, a quem pudesse interessar: "Love is all we need".
E partiu pra um tempo onde nada mais importava. Nada."

terça-feira, setembro 03, 2002

- Sentir. Lembra, Solange? Era como era chamado, nos tempos que ainda existia. Porra, lembra, guria...
- Ah, lembro...

E era lindo. Ou não. Mas era intenso. E eu emagreci quando terminamos. E eu não tinha mais fome. E eu chorava muito e estava desesperada, quase o tempo todo. E tinha problemas. E briguei, gritei, chorei. E o melhor de tudo foi antes, quando eu era uma bobinha iludida e achava tudo que ele fazia lindo. Mas era, de alguma forma estranha. Ainda que todo mundo que eu tenha tido depois dele tenha sido melhor. Mas isso eu não sabia, então. Não sabia que haveria pessoas que me dessem mais valor, que gostassem mais de mim, que fossem mais carinhosas, que não me traíssem. E era tudo. E durante muito tempo eu quis voltar. Mas em vez disso, eu quis que fosse melhor. E olhando agora, nunca foi. Porque eu sabia sentir e no momento em que eu descobri que tinha sido tudo mentira, eu perdi essa 'habilidade'. E agora me faz falta. E ele ainda me ama. É irônico. Mas ama. E eu queria saber sentir agora, que 'conheci' alguém tão bom e tão lindo. E que faz as coisas serem poéticas quase demais.
Mas eu lembro também que depois do último fim eu ri e saí com meus amigos. Que não me atinge. Que eu não consigo ao menos me apaixonar. Que eu não consigo ficar ansiosa o tempo todo. Que eu não consigo mais, não consigo.
E se isso for 'crescer'. Não, obrigada.

domingo, setembro 01, 2002

quarta-feira, agosto 28, 2002

Why do you come here, when you know it makes things hard for me?

quarta-feira, agosto 21, 2002

A pulseira que eu te dei. E tudo que eu lembrei de já ter sido. Não bastaria. mas o fato de eu tremer quebra qualquer silêncio. Regra do contra-regra. A fita que gravasses pra mim. O CD que eu te dei de Natal. As nossas madrugadas. As minhas vontades. O nosso jeito engraçado e ao mesmo tempo irritante de ser tão igual. Quando tu sumisses. E eu sumi. E nós. E beijo inesperado. Pretendido, por mim. Mas tu és sempre uma surpresa. A conta de telefone. Curitiba - Blumenau. E eu sempre vou saber. Ano que vem. E eu não sei. Lurgee. Meu quarto. Tuas frases. Teu silêncio. Meu. Meu medo de te ver triste. Olhos, teus. Azuis. E todo o resto. Resto. Resta. E tem sido estranho. Tem sido difícil depois de "I'll never fall in love again." Mas é. E eu sonho contigo. O que mais podia querer? Saudades. Ônibus. Volta. Amanhã.

sábado, agosto 17, 2002

Eu queria alguém que não se incomodasse com o fato de eu ter escrito minha vida toda a lápis. Que não tentasse, em vão, entender os espaços em branco e as palavras riscadas. Alguém que me aceitasse com todo meu subjetivismo que às vezes é até infantil. Que quando me visse desesperada por ter perdido um poema não me ajudasse a procurá-lo, apenas me abraçasse. Alguém que não se interesse pelo meu passado; nem pelo meu futuro. Alguém com quem eu aprendesse a não mencionar o passado. Alguém pra quem eu vivesse.
Alguém que não tentasse mudar quem eu sou, jamais. Que não ficasse perguntando o porquê de algumas coisas das quais eu simplesmente não gosto. Que não esperasse que eu fosse sempre a mesma pessoa. Eu queria alguém, que assim como eu, não usasse borracha. Que se preocupasse somente em escrever uma vida cheia de erros, riscos e rimas. E 'eus'. Quantos fossem necessários. E que conjugasse os verbos sempre em qualquer pessoa. Independente da pessoa querer. Porque, no nosso mundo, isso só dependeria de nós.
Que tivesse tanto orgulho dos meus erros quanto eu tenho. Ou dos seus. Que achasse minhas piores fotos lindas. Que não se decepcionasse comigo se meu Francês não for tão bom assim. E por achar perfeito o simples fato de eu saber detestar em Francês. Que escrevesse 'eu' sempre com a letra minúscula.
(Alguém que quisesse deitar no meu colo. Me abraçar. Get drunk with me. Cantar. Alguém que nunca tirasse as mangas de cima das minhas mãos pra dar as mãos pra mim. Que me deixasse sozinha, às vezes. Que me deixasse dormindo e que não dormisse demais. Que gostasse de MacDonalds. E que nunca levasse a sério qualquer discussão ideológica comigo. (...))
Que me entendesse, ou não me entendesse, como eu mesma.

sexta-feira, agosto 16, 2002

E que parecesse eterno. Então. Ao menos.

Mas ao invés disso, serão novas sextas-feiras sozinha em casa. Será uma certa carência, quando eu tiver vontade. Serão finais-de-semana, às vezes. Será eu. Serei. Sozinha. E será descobrir o quanto é difícil pra mim me relacionar com qualquer pessoa. Porque eu me acostumei. Porque às vezes, quase sempre, eu não me dou ao trabalho. Porque deixei de gostar de intimidade. E de querer qualquer abraço que não seja o teu. E na verdade, só hoje, eu acho tudo muito trabalhoso. E prefiro largar um solene 'foda-se'. E que me perguntem depois como tudo é tão fácil pra mim. E que não me entendam, e que se irritem, e que sejam menos folgados e que não se achem jamais no direito de me pedir algo. De exigir que eu sinta, de querer que eu demonstre. Hoje eu queria te tirar do mundo e explodir ele. Mas isso eu queria numa lentidão quase sonora. Isso eu queria como quem quer um sorvete com, por favor, uma cereja em cima.
Ah, mas é sexta-feira e eu vou estar sozinha e queria poder beber uma tequila e fechar os olhos e ligar pra alguém no meio da madrugada e gritar. E incomodar. E deixar de ser quem eu sou por um minuto, e incomodar. Descontrolar o mundo. Gerar um pequeno caos só pra ter certeza de que ainda funciona. Destruir. Quebrar um copo. Jogar no chão o teu disco preferido, arrancar páginas dos teus livros. Só pra lembrares; Ser um pouco mais do que esse azul discreto demais. Ser vermelho. Por um minuto. Mas dá tudo no mesmo... mesmo.
E acordar num sábado depois de ter feito besteira e me arrepender. E voltar à minha vida azul, calma, odiando a minha parte vermelha, às vezes roxa demais. Porque eu odeio o roxo. Que age sem pensar e promete coisas demais. Promete. E é carinhoso com quem não merece. Com quem não importa. E não consegue dizer um 'foda-se' vermelho ou um 'leave me alone' azul.

E agora vai embora. Veste essas calças feias e carrega na mão os teus sapatos. Porque eu não quero. Porque o que mais importa não está aqui.
Eu podia falar de mil coisas que acontecem desde o momento em que eu sinto a tua respiração a 5 cm de mim, até que tua boca toque a minha. Como se fosse um mundo dentro de mim que acordasse pra me fazer tremer, pra fazer meu sangue dobrar a velocidade, meu coração enlouquecer. Eu podia falar que é quase mágico, mas eu ainda não sei. Eu podia querer mais, eu sei. Mas agora eu só queria um abraço teu. Queria te ter por perto. Queria que fosse tudo do jeito que é. E sem desculpas pelo nosso passado. Porque seria hipocrisia pedir que ele fosse mais perfeito do que foi. Com todos os nossos misunderstandings. Com todas as vezes que eu ensaiei eu-te-amos incertos e nunca tive coragem. Como eu não tenho coragem nem de dizer que eu sinto a tua falta agora. Mas eu digo. Como foram todas aquelas frases e como foram minhas madrugadas querendo estar contigo. E teus sumissos repentinos. E essa culpa que eu sinto-mas-não-devia por ter sumido por tanto tempo.
E é lindo eu fechar meus olhos e tu gostar do jeito que eu abaixo a minha cabeça. E eu tremer. E tu também. E eu sentir isso, que não é querer muito, mas eu queria poder descrever. Dizer o que é isso que me corróe por dentro de um jeito tão bom e inesperado. E isso, já dito, mil vezes. Mas nunca ninguém me fez tremer. E agora eu vejo quase como tolice o medo que eu tinha de te machucar. Porque tu envolves de um jeito tão doce e tão profundo... E nem que eu quisesse. E eu levaria mil mundos pra te descrever. Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas;

quinta-feira, agosto 15, 2002

E se fosse tudo silêncio. E se teus olhos se fechassem junto com os meus. E se eu não soubesse. Mas o vento sempre volta. Utópico, mas volta. E eu lembro de tanta coisa que eu te falei. E eu quase lembro de quem eu sou. Mas não.
Se o mundo passasse um pouco mais devagar, talvez não importasse tanto assim. Se fizesse sentido. Se fizesses sentido. Se soubesses. E se eu fosse (alguém melhor). Ah, mas nada disso importa - importa? - Porque se fôssemos, tudo isso não seria. Não seria esse silêncio agonizante. Bom. Agonizante. Bom. Se fôssemos, eu não estaria confundindo palavras. Eu não estaria buscando o que não sei. Eu não seria, quem sabe. Se fôssemos, seria mais azul. O sol nasceria na hora certa e não haveria nuvens à noite. O teu sorriso seria sempre sincero e nunca uma desculpa. Eu seria mais calma. Eu acordaria quando o sono acabasse. Eu diria menos verdades e gastaria mais tempo vivendo.
E tu sabes que eu não sei. E eu acho que eu sei. Droga confusa. Eu preciso de amanhã, de semana que vem pra saber. Preciso.

sexta-feira, agosto 09, 2002

"- Faz amor comigo?
- Não."
Num beijo qualquer eu fecho os olhos e imagino o teu beijo. E imagino como seriam melhores aquelas mãos se fossem as tuas. E penso em voltar pra casa. Em pegar o primeiro ônibus. E lembro que tens medo também. Que és azul, e tão lindo quanto teus olhos azuis são teus olhos fechados. Somos nós perdidos nessa realidade doida, só nossa.
E eu tô tentando. Juro que estou. E queria hoje fugir pro Bangladesh. E não conta pra ninguém, mas eu te levaria comigo. És o mais longe de um problema na minha vida que anda tão confusa. És sempre a palavra mais calma, a noite mais silenciosa, e fria. E é um frio bom. E és praia no verão e abraço no inverno e todo lindo, tudo que eu sempre quis e todo mundo sempre soube.
Ainda assim, e ironicamente, eu não sei. Ou sei. Que não vai ser como deveria ser para o resto do mundo. Vai ser como nós: silencioso, calmo, lento, azul, um pouco vermelho, um pouco de esquece, um pouco de esteja comigo sempre.
Hey mãe,

O tempo passou. Isso não deveria ter passado também? Na verdade eu sempre sabia. E todo mundo sempre soube. E eu sou a pessoa mais previsível do mundo e acho que tudo bem.
Mas acho só hoje.

quinta-feira, agosto 08, 2002

Hoje eu quis acreditar que, em meio a tantos fins, ele ainda me amava. Quis deixar aquele monte de bilhetes colados na parede do meu quarto. Quis olhar de novo pra aquela foto em que ele me olha apaixonado.
Chorei, admito, quando ouvi aquela música. E senti falta. Muita falta.
Hoje, tanto tempo depois, tanta mágoa depois, tanto esquecimento depois, tanto fingimento depois, tanta vida depois... Hoje.
De novo, eu abri aquele livro cheio de coisas dele dentro. Fotos dele, poemas dele, declarações de amor dele. E notei que é difícil. Que é muito amor pra uma vida só. Que foi muito amor. Que foi saturante. E lindo.
E às vezes, meio de besteira, eu queria que não tivesse sido tão doce, que ele não tivesse sido tão perfeito. Que ele não tivesse sido o único, ever, com quem eu de fato pudesse ter provado que "i still know how to make love, with love, my love". E se eu tivesse o poder de escolher isso, não sei se escolheria continuar vivendo e amar de novo. Acho que na verdade eu preferia que acabasse por aqui. Que tivesse sido só ele sempre. Que ele fosse pra toda vida. Talvez não comigo...
Em mim.

segunda-feira, agosto 05, 2002

Todos os Meus Poemas

Acordei numa cidade desconhecida. O casal sentado à minha frente já havia parado de conversar e grande parte dos demais passageiros do ônibus dormia, apesar de não ser noite. Concluí que deveriam ser em torno de três da tarde. Tentei ater-me a olhar pra fora. A paisagem era linda. Havia neblina cobrindo as montanhas ao fundo e choviscava. De vez em quando a ritmia dos campos era quebrada ora por uma densa floresta, ora por pequenas casas com pequenas pessoas desempenhando pequenas funções. Uma placa apontava para uma entrada. Esculpido em madeira e pintado de branco lia-se "Estrada Bonita". Eu queria isso. Viver naquele clima bonito na estrada bonita e jogar pedras no rio bonito. Mas não agora. Agora eu queria lembrar dele. E do sorriso dele. E de como ele me olhava. Lembrei do "olhar pra trás ao mesmo tempo" e percebi que desta vez o "não" não era uma certeza. Daí eu quis café. Mas não tive vontade de ir pegá-lo. E continuei com a minha dor de garganta adquirida na manhã, engolindo seco e doendo.
Apesar da dor, era legal estar ali. Com dor-de-garganta-adquirida-na-viagem-por-vontade-inventada. Eu estava naquele ônibus não-sei-por-quê. Talvez por curiosidade. Pra ver o que acontece. E no fundo eu parecia saber que o que me aguardaria lá seria aquela outra coisa, que eu quase já nem lembrava existir: f.e.e.l.i.n.g.c.a.l.l.e.d.s.a.u.d.a.d.e. Mas era cedo pra dizer qualquer coisa. E eu achei melhor fechar os olhos depois que passei por uma loja de coisas que lembravam ele. Mas fechar os olhos era quase uma aceitação da minha pena. Era a possiblidade de lembrar de detalhes, de pensar besteira, de sorrir sozinha, de chover por dentro. Como um certo amigo meu que "chove muito mais do que lá fora". Um bom amigo. E daí eu fechei os olhos. E notei que tudo aquilo que era lindo não era verdade. Não existia. Eu não sentia. Mas eu quis lembrar dele. Talvez como só mais um rostinho lindo com gosto de cigarro que me levava nos melhores restaurantes e nunca pagava pra mim. E eu gostava. Gostava de estar com o quase-vegetariano, popularzinho, pega-todas, libriano, aspirante a ator, campeão de judô e inteligente. Gostava do gosto que as coisas tinham quando eu estava com ele. Do jeito que ele se vestia. Do jeito que ele me abraçava e do jeito que ele escrevia o apelido. E do olhar 43 dele. E das mãos secas. E do não-gostar de ambas as partes. Mas havia o resto do mundo. E todos os meus problemas estavam lá. Me espiando de longe aguardando minha volta. Acho que era disso que aquela viagem me salvaria. Só por dois dias, mas tudo bem. Eu estaria com as pessoas que sempre me salvaram. Que sempre me fizeram sorrir. No matter what. - Aí eu lembro que eu sorri, olhando pra fora. Pra paisagem que agora passava rápida e igual. E ainda faltava muito.
Ironicamente, fazia sol quando saí de Curitiba. Fazia sol, fazia trabalho de história dos meios, fazia almoço com ele. E o cabelo dele tem um cheiro tão bom... Droga, fez o mundo parecer Hollywood.

quinta-feira, agosto 01, 2002