Te reconstruí, juro, depois que te fosses. Peguei todos os teus pedaços do chão e tentei montá-los da melhor forma possível. Tentei dar o mesmo brilho aos teus olhos, a mesma beleza ao teu rosto, tentei encontrar carinho no teu sorriso que eu tive que montar com lentidão.
Até quando eu sabia que não era isso. Até quando eu sabia que eu só precisava de alguém que me desse carinho. Até quando eu sabia que só queria um pouco (mais) da tua atenção, e que tu eras incapaz de dá-la. Até chorando, me ajoelhei sobre os teus pedaços pontiagudos a fim de dar a cada um deles um pouco da tua forma. E me machuquei. Mas tentei mil vezes depois. Tentei fazer com que, mesmo distante, notasses o que eu fazia por ti. Uma luta cega e boba e que todo mundo julgava sem sentido. E foi. E era. E é.
Ironicamente, és o que eu mais guardo de passado. Embora eu seja esse teu contrário. Embora sejamos algo que se esqueceu de acontecer, és o que eu diria passado. Por seres a única coisa que me prende. Minha única possibilidade de enxergar que eu não sou tão feliz assim.
És quem pior me trata. Quem menos se importa. Quem menos me abraça. Quem mais me irrita. Quem mais machuca.
E por isso, às vezes, eu não sei. Por isso e talvez só por isso e porque existe alguém que me faz bem. O que me importa, então? É, I wish...