domingo, novembro 10, 2002

- Eu tava pensando...
- No quê?
- Na gente.
- Na gente?
- É. Não na 'gente' mesmo. Mas...
- No mundo inteiro?
- Não. Em mim e em ti, mas não como nós.
- Ah...
- Sinto tua falta. Sinto falta do teu jeito.
- Tu não sabes o que tu queres.
- Às vezes sei.
- Mas muda. O tempo todo.
- Mas...
- Desculpa, é que é fácil perceber.
- Por que não dissesse isso antes?
- Pensei que soubesses.
- Sabias que não.
- Pensei que talvez fosse melhor assim. Pensei em tentar.
- Sabe... Eu tenho medo.
- Do quê?
- Disso que eu sou. De ser assim. De não saber.
- Não pensa tanto.
- Acho que não consigo.
- Deixa o que é passado pra trás.
- Mas eu não sei o que é passado e o que é presente.
- Não é difícil.
- Pra mim é. Vê, eu sempre insisto em voltar.
- Acho que é medo.
- É, mas do quê?
- Olha, eu acho que algumas coisas tens que descobrir sozinha.
- Não me deixa. Eu já tentei tanto, tô cansada.
- Olha, espero que passe. Gosto muito de ti.
- Mas não podes me beijar?
- Não, entende. É melhor assim.
- Eu gosto de ti, também. Gosto de muita coisa em ti. Do jeito que me fazes rir. Ninguém consegue isso. E te acho tão...
- Shhh... Deixa pra lá. Você vai achar alguém melhor.
- Mas...
- Vai sim. É sempre assim. Sempre foi assim.
- E o que eu faço enquanto não é?
- Desculpa.