domingo, outubro 10, 2004

cada molécula

Oi meu anjo

Bom, são seis da manhã e você tá dormindo no sofá. Você continua de tênis e o apartamento tá uma bagunça. Tentei ajudar colocando todas as latas de cerveja numa sacola no canto da cozinha, mas sei que isso não faz diferença nenhuma pra você.
Meu ônibus sai daqui a 40 min, mas eu não consigo te acordar. Eu sei que você tem sono leve, mas se você se visse dormindo tão calmo também não teria coragem de interromper. Imagino com o que você possa estar sonhando, agora que a tua vida é como a gente sempre sonhou. E isso me faz sorrir de um jeito que eu não imagino melhor.
E dá aquela vontade de chorar que você deve saber qual é. Assim como ontem quando te vi com outra pessoa. Meio por felicidade e meio por querer estar sentindo isso junto com você. Ou por alguma coisa que nada nem ninguém no mundo consegue explicar. Eu só... sei.
E eu sei que "isso", "assim", é só você que me faz sentir. Mesmo sem querer. Mesmo com erros, e tempos, e coincidências que a gente nunca chegou a planejar.
É. Mas devaneios não são saudáveis e a gente sabe disso muito bem. (Alguma coisa a gente tem que aprender, né?).

Obrigada por ter me agüentado tomando café durante 90% dos últimos dias. Eu sei o quanto você odeia esse meu hábito.
Eu te desculpo pelas crises que você causa em mim.
E a gente se desculpa por não fumar. Porque seria muito mais 'cult' assim.

Te cuida e cuida da tua coleção de CDs, pra nenhuma outra pessoa fazer o mesmo que eu, que além de estar pegando os meus de volta estou levando alguns dos seus preferidos. Obrigada por isso também.

Se o meu namorado ligar aqui de novo, diga que eu já tô voltando.

O Táxi chegou.

Eu t.