Retrocesso
quinta-feira, setembro 26, 2002
terça-feira, setembro 24, 2002
Teardrop on the fire
E ele, arrumando sua vida e não se importando, soa tão lindo. Soa toda a calma que eu sempre quis ter e que ele sempre mostrou não possuir. Ele, fazendo as coisas do jeito certo, soa diferente demais. Hard to believe. Eu cometendo mais erros que ele. Quem diria?
Engraçado que ainda assim eu seja o lado mais fraco. E parece que finalmente meu desequilíbrio levou a algo. A querer demais, por outros motivos, dessa vez.
Estranho, né? Confuso também, caso tenhas esquecido desse pequeno detalhe.
Mas amanhã sempre é um novo dia. Ainda que eu não me esforce para tal. E vou tentar entender essa boa fase e sorrir pra ele, as a friend. Pra me confundir ainda mais em tudo que restou. E pra viver, de novo, o meu novo. Eu.
E ele, arrumando sua vida e não se importando, soa tão lindo. Soa toda a calma que eu sempre quis ter e que ele sempre mostrou não possuir. Ele, fazendo as coisas do jeito certo, soa diferente demais. Hard to believe. Eu cometendo mais erros que ele. Quem diria?
Engraçado que ainda assim eu seja o lado mais fraco. E parece que finalmente meu desequilíbrio levou a algo. A querer demais, por outros motivos, dessa vez.
Estranho, né? Confuso também, caso tenhas esquecido desse pequeno detalhe.
Mas amanhã sempre é um novo dia. Ainda que eu não me esforce para tal. E vou tentar entender essa boa fase e sorrir pra ele, as a friend. Pra me confundir ainda mais em tudo que restou. E pra viver, de novo, o meu novo. Eu.
segunda-feira, setembro 23, 2002
sábado, setembro 21, 2002
Queria não ter esse "nada" tão grande teu.
Queria não amar essas migalhas imundas da tua atenção que largas pelos cantos.
Queria não precisar tanto de algo pra sentir.
Queria que tivesse terminado no "platônico", mais uma vez.
Queria saber o que faço, antes de fazer. Antes de cometer esses erros 'bobos' mais uma vez.
Mas de alguma forma, fazes parecer justo. Ou não. Acho que minto pra achar algum consolo. Pra achar uma justificativa pra tu não te importares, quando tudo o que eu queria era passar mais uma noite ao teu lado. Mas não ter que te ver partir dessa vez. Não, hoje não. Hoje é mais frio ainda do que aquela vez. Hoje já é distante demais e eu ainda insisto em não te esquecer.
Hoje?
Pior dia do mundo, obrigada. Hoje eu não sinto, não existo, não esqueço. Hoje, me desculpa, mas eu não me arrependo.
Queria não amar essas migalhas imundas da tua atenção que largas pelos cantos.
Queria não precisar tanto de algo pra sentir.
Queria que tivesse terminado no "platônico", mais uma vez.
Queria saber o que faço, antes de fazer. Antes de cometer esses erros 'bobos' mais uma vez.
Mas de alguma forma, fazes parecer justo. Ou não. Acho que minto pra achar algum consolo. Pra achar uma justificativa pra tu não te importares, quando tudo o que eu queria era passar mais uma noite ao teu lado. Mas não ter que te ver partir dessa vez. Não, hoje não. Hoje é mais frio ainda do que aquela vez. Hoje já é distante demais e eu ainda insisto em não te esquecer.
Hoje?
Pior dia do mundo, obrigada. Hoje eu não sinto, não existo, não esqueço. Hoje, me desculpa, mas eu não me arrependo.
Algumas coisas, essas que sempre foram só minhas e só tuas. Só minhas ou só tuas ou só nossas. Eu queria que elas nunca fossem, na verdade. Queria que elas nunca fossem de mais ninguém.
Que ninguém mais ouvisse nossas músicas. Ou pior: não queria que eles ousassem falar delas pra mim. Pro mundo. Porque elas são só nossas, sempre foram. Sempre. Tudo, muito. Tudo. O mundo às vezes devia deixar de existir, pra eu viver só do teu abraço. E ah, tem tanta coisa mais, tanta coisa mais... E o muito que tu provas ser a cada dia, ainda que silenciosamente. Ainda que eu tenha que viver isso por nós dois. Ainda.
Que ninguém mais ouvisse nossas músicas. Ou pior: não queria que eles ousassem falar delas pra mim. Pro mundo. Porque elas são só nossas, sempre foram. Sempre. Tudo, muito. Tudo. O mundo às vezes devia deixar de existir, pra eu viver só do teu abraço. E ah, tem tanta coisa mais, tanta coisa mais... E o muito que tu provas ser a cada dia, ainda que silenciosamente. Ainda que eu tenha que viver isso por nós dois. Ainda.
sexta-feira, setembro 20, 2002
I wish you could break my heart
"E quando eu sentir tua boca me beijar
Teu beijo vai me acalentar
Vou suplicar pra que me beije de mansinho
Com o rosto coladinho
Respirando baixinho
Será que é pedir demais pra mim
Uma garota assim..."
e eu sempre fui só de você, você sempre foi só de mim, eu sempre fui só de você.
Não? Não, né? É, não.
"E quando eu sentir tua boca me beijar
Teu beijo vai me acalentar
Vou suplicar pra que me beije de mansinho
Com o rosto coladinho
Respirando baixinho
Será que é pedir demais pra mim
Uma garota assim..."
e eu sempre fui só de você, você sempre foi só de mim, eu sempre fui só de você.
Não? Não, né? É, não.
terça-feira, setembro 17, 2002
slow-mo for the masses
Acho que funciona mais ou menos assim: Ele precisa de mim pra poder fazer com que outras pessoas precisem dele. Quase isso. Mas quando eu sei que ele precisa de mim eu passo a precisar dele. Aí ele me abandona, pelas pessoas que precisam dele. Não por bondade, mas porque isso faz com que ele se sinta forte. Faz bem ao ego dele. E anula suas fraquezas. E eu acho repugnante, é inevitável. Acho mesquinha e imbecil. Então eu busco um abrigo qualquer. E depois quando não preciso mais, machuco meu 'abrigo', ainda que sem querer. Mas espero ter acabado com isso hoje, agora que eu descobri.
Acho que funciona mais ou menos assim: Ele precisa de mim pra poder fazer com que outras pessoas precisem dele. Quase isso. Mas quando eu sei que ele precisa de mim eu passo a precisar dele. Aí ele me abandona, pelas pessoas que precisam dele. Não por bondade, mas porque isso faz com que ele se sinta forte. Faz bem ao ego dele. E anula suas fraquezas. E eu acho repugnante, é inevitável. Acho mesquinha e imbecil. Então eu busco um abrigo qualquer. E depois quando não preciso mais, machuco meu 'abrigo', ainda que sem querer. Mas espero ter acabado com isso hoje, agora que eu descobri.
segunda-feira, setembro 16, 2002
quarta-feira, setembro 11, 2002
LE:91 : makes me feel confused .)
"- Eu podia ligar. Podia deixar de ser orgulhosa.
- Mas ele também poderia...
- Mas ele, sei lá. É diferente.
- Queres falar com ele ou não?
- Ah, queria ouvir a voz dele...
- Então liga, oras.
- Ai, não é tão simples.
- Como não?
- Além do mais, tenho coisas pra fazer.
- Coisas que não vais fazer. Porque vais pensar nele. Vais escrever o nome dele nas tuas folhas e blá blá blá.
- Eu jamais escreveria o nome dele numa folha!
- É? E por que não?
- Não sei, não combina.
- Estranho. Eu queria conhecer esse cara...
- Eu também."
"- Eu podia ligar. Podia deixar de ser orgulhosa.
- Mas ele também poderia...
- Mas ele, sei lá. É diferente.
- Queres falar com ele ou não?
- Ah, queria ouvir a voz dele...
- Então liga, oras.
- Ai, não é tão simples.
- Como não?
- Além do mais, tenho coisas pra fazer.
- Coisas que não vais fazer. Porque vais pensar nele. Vais escrever o nome dele nas tuas folhas e blá blá blá.
- Eu jamais escreveria o nome dele numa folha!
- É? E por que não?
- Não sei, não combina.
- Estranho. Eu queria conhecer esse cara...
- Eu também."
quarta-feira, setembro 04, 2002
Quinze minutos.
Pra pensar o que eu quiser;
Pra chorar por aquilo que eu pensar/ou não que passou.
Quinze minutos pra tentar me entender.
Pra tentar te explicar.
Quinze minutos.
Quinze minutos.
Todo o tempo que eu tenho pra esquecer de todo o resto.
Pra sonhar um sonho lindo.
Pra te ver acordar.
Pra dizer tudo que cabe em palavras.
Que não cabe.
Quinze minutos pra ouvir cinco vezes minha música preferida.
Pra arrumar meus discos.
Quinze minutos pra arrumar minha mala inteira.
Minha vida inteira.
Quinze minutos pra pensar que talvez seja. Pra duvidar.
Quinze minutos pra ouvir tua voz.
Longe.
Pra pensar o que eu quiser;
Pra chorar por aquilo que eu pensar/ou não que passou.
Quinze minutos pra tentar me entender.
Pra tentar te explicar.
Quinze minutos.
Quinze minutos.
Todo o tempo que eu tenho pra esquecer de todo o resto.
Pra sonhar um sonho lindo.
Pra te ver acordar.
Pra dizer tudo que cabe em palavras.
Que não cabe.
Quinze minutos pra ouvir cinco vezes minha música preferida.
Pra arrumar meus discos.
Quinze minutos pra arrumar minha mala inteira.
Minha vida inteira.
Quinze minutos pra pensar que talvez seja. Pra duvidar.
Quinze minutos pra ouvir tua voz.
Longe.
Love Around the Corner
"Estava cansada. Dos livros, dos discos, da vida toda. Da flor quase morrendo na janela, dos vizinhos, do apartamento decorado de forma estranha. Cansada de tudo. Principalmente, de ter deixado um pouco de viver quando deixou todo mundo pra trás pra fazer o que quisesse. Cansada daquela cidade, daquele constante estado anestésico, dos cabelos curtos, do modo diferente de se vestir. Olhando no espelho, notava-se cansada até mesmo dos olhos castanhos.
Colocou o som alto e sentou-se no sofá verde. Deitou-se. Começou a passar os olhos com lentidão pelo apartamento escuro. Pensou em abrir as cortinas. Pensou em arrumar suas coisas. Em fazer uma viagem. Pensou em ir pra aula de teatro. Pensou em ligar pra alguém. Se tivesse alguém para o qual ligar, ao menos. Juntou, no chão ao lado do telefone, uma velha agenda telefônica. Folheou as páginas, em sua maioria repletas de números de amigos, amigas, ex-namorados, pretendentes. Mas não quis. Faltava quem a entendesse. Faltava quem soubesse o quanto que ela precisava sentir. Faltava. Não existia.
Levantou subitamente, querendo surpreender quem quer que fosse. Quem quer que soubesse. Pegou sua bolsa roxa e saiu. Desceu as escadas sem pressa. Viu em uma das paredes uma frase riscada por ela mesma, há alguns anos, quando voltava pra casa com uma amiga no meio da madrugada. Sorriu, ao ler "Love is all we need" numa grafia que indicava óbvia embriaguez. Lembrou da amiga. E lembrou que não queria lembrar. Que o normal seria pegar o elevador. Mesmo que desde o começo, ela se mudara pra aquele lugar com a promessa de sempre usar as escadas. Mas promessas mudam. Tudo muda.
Saiu do prédio e entrou no café ao lado. Cumprimentou o senhor que trabalhava no Café, e naquele momento se deu conta de que já haviam se passado quatro anos. E ela não sabia sequer seu nome. Não sabia o preço do Capuccino. Não sabia o horário de funcionamento. E era o que ela precisava naquele momento, sentir-se em casa.
Pediu um Banana Split. Sentou em uma mesa do canto, ao lado de uma janela. E enquanto esperava ficou inerte, olhando as pessoas passarem com pressa, com graça, com medo, com vida. E imaginou, como sempre, como seria a vida de cada uma delas. E foi interrompida pelo Banana Split. Sorriu para o garçom. Um alguém com a sua idade, com quem talvez até já tivesse saído algumas vezes, pelo que lembrava. Quis chamá-lo mas não sabia o seu nome. Sorriu, irônica. Sozinha.
Terminou seu sorvete com uma lentidão poética e por lá ficou por mais uma hora. Tinha quase-medo de voltar pra vida. Fazer coisas, ser útil. Terminar a faculdade, procurar os documentos pro mestrado, dar aulas particulares.
Voltou os olhos para o balcão. Certificou-se de que não havia fila no caixa. Levantou-se e foi pagar sua conta. Sorriu tímida para o senhor do caixa. Comprou um bombom e saiu.
E depois daquilo, daquele instante insignicante na sua vida, ainda pensou muito. E foi naquela noite que foi a uma festa como todas as outras, conheceu alguém como todos os outros, bebeu e riu como sempre. E esqueceu que era aquilo que não queria mais. Mas o fez. E fez amor. E teve alguém acordando ao seu lado todos os dias, durante dois longos meses. E terminou como tudo terminava. Até que se mudou do apartamento bagunçado. Deixando pra trás o que não havia sido nada, e ao mesmo tempo tanto. Deixou pra trás aquela vontade de ser importante pra alguém. Deixou pra trás as lágrimas que um dia molharam aquele chão de madeira, velho. Deixou também uma inscrição no fundo do armário, a quem pudesse interessar: "Love is all we need".
E partiu pra um tempo onde nada mais importava. Nada."
"Estava cansada. Dos livros, dos discos, da vida toda. Da flor quase morrendo na janela, dos vizinhos, do apartamento decorado de forma estranha. Cansada de tudo. Principalmente, de ter deixado um pouco de viver quando deixou todo mundo pra trás pra fazer o que quisesse. Cansada daquela cidade, daquele constante estado anestésico, dos cabelos curtos, do modo diferente de se vestir. Olhando no espelho, notava-se cansada até mesmo dos olhos castanhos.
Colocou o som alto e sentou-se no sofá verde. Deitou-se. Começou a passar os olhos com lentidão pelo apartamento escuro. Pensou em abrir as cortinas. Pensou em arrumar suas coisas. Em fazer uma viagem. Pensou em ir pra aula de teatro. Pensou em ligar pra alguém. Se tivesse alguém para o qual ligar, ao menos. Juntou, no chão ao lado do telefone, uma velha agenda telefônica. Folheou as páginas, em sua maioria repletas de números de amigos, amigas, ex-namorados, pretendentes. Mas não quis. Faltava quem a entendesse. Faltava quem soubesse o quanto que ela precisava sentir. Faltava. Não existia.
Levantou subitamente, querendo surpreender quem quer que fosse. Quem quer que soubesse. Pegou sua bolsa roxa e saiu. Desceu as escadas sem pressa. Viu em uma das paredes uma frase riscada por ela mesma, há alguns anos, quando voltava pra casa com uma amiga no meio da madrugada. Sorriu, ao ler "Love is all we need" numa grafia que indicava óbvia embriaguez. Lembrou da amiga. E lembrou que não queria lembrar. Que o normal seria pegar o elevador. Mesmo que desde o começo, ela se mudara pra aquele lugar com a promessa de sempre usar as escadas. Mas promessas mudam. Tudo muda.
Saiu do prédio e entrou no café ao lado. Cumprimentou o senhor que trabalhava no Café, e naquele momento se deu conta de que já haviam se passado quatro anos. E ela não sabia sequer seu nome. Não sabia o preço do Capuccino. Não sabia o horário de funcionamento. E era o que ela precisava naquele momento, sentir-se em casa.
Pediu um Banana Split. Sentou em uma mesa do canto, ao lado de uma janela. E enquanto esperava ficou inerte, olhando as pessoas passarem com pressa, com graça, com medo, com vida. E imaginou, como sempre, como seria a vida de cada uma delas. E foi interrompida pelo Banana Split. Sorriu para o garçom. Um alguém com a sua idade, com quem talvez até já tivesse saído algumas vezes, pelo que lembrava. Quis chamá-lo mas não sabia o seu nome. Sorriu, irônica. Sozinha.
Terminou seu sorvete com uma lentidão poética e por lá ficou por mais uma hora. Tinha quase-medo de voltar pra vida. Fazer coisas, ser útil. Terminar a faculdade, procurar os documentos pro mestrado, dar aulas particulares.
Voltou os olhos para o balcão. Certificou-se de que não havia fila no caixa. Levantou-se e foi pagar sua conta. Sorriu tímida para o senhor do caixa. Comprou um bombom e saiu.
E depois daquilo, daquele instante insignicante na sua vida, ainda pensou muito. E foi naquela noite que foi a uma festa como todas as outras, conheceu alguém como todos os outros, bebeu e riu como sempre. E esqueceu que era aquilo que não queria mais. Mas o fez. E fez amor. E teve alguém acordando ao seu lado todos os dias, durante dois longos meses. E terminou como tudo terminava. Até que se mudou do apartamento bagunçado. Deixando pra trás o que não havia sido nada, e ao mesmo tempo tanto. Deixou pra trás aquela vontade de ser importante pra alguém. Deixou pra trás as lágrimas que um dia molharam aquele chão de madeira, velho. Deixou também uma inscrição no fundo do armário, a quem pudesse interessar: "Love is all we need".
E partiu pra um tempo onde nada mais importava. Nada."
terça-feira, setembro 03, 2002
- Sentir. Lembra, Solange? Era como era chamado, nos tempos que ainda existia. Porra, lembra, guria...
- Ah, lembro...
E era lindo. Ou não. Mas era intenso. E eu emagreci quando terminamos. E eu não tinha mais fome. E eu chorava muito e estava desesperada, quase o tempo todo. E tinha problemas. E briguei, gritei, chorei. E o melhor de tudo foi antes, quando eu era uma bobinha iludida e achava tudo que ele fazia lindo. Mas era, de alguma forma estranha. Ainda que todo mundo que eu tenha tido depois dele tenha sido melhor. Mas isso eu não sabia, então. Não sabia que haveria pessoas que me dessem mais valor, que gostassem mais de mim, que fossem mais carinhosas, que não me traíssem. E era tudo. E durante muito tempo eu quis voltar. Mas em vez disso, eu quis que fosse melhor. E olhando agora, nunca foi. Porque eu sabia sentir e no momento em que eu descobri que tinha sido tudo mentira, eu perdi essa 'habilidade'. E agora me faz falta. E ele ainda me ama. É irônico. Mas ama. E eu queria saber sentir agora, que 'conheci' alguém tão bom e tão lindo. E que faz as coisas serem poéticas quase demais.
Mas eu lembro também que depois do último fim eu ri e saí com meus amigos. Que não me atinge. Que eu não consigo ao menos me apaixonar. Que eu não consigo ficar ansiosa o tempo todo. Que eu não consigo mais, não consigo.
E se isso for 'crescer'. Não, obrigada.
- Ah, lembro...
E era lindo. Ou não. Mas era intenso. E eu emagreci quando terminamos. E eu não tinha mais fome. E eu chorava muito e estava desesperada, quase o tempo todo. E tinha problemas. E briguei, gritei, chorei. E o melhor de tudo foi antes, quando eu era uma bobinha iludida e achava tudo que ele fazia lindo. Mas era, de alguma forma estranha. Ainda que todo mundo que eu tenha tido depois dele tenha sido melhor. Mas isso eu não sabia, então. Não sabia que haveria pessoas que me dessem mais valor, que gostassem mais de mim, que fossem mais carinhosas, que não me traíssem. E era tudo. E durante muito tempo eu quis voltar. Mas em vez disso, eu quis que fosse melhor. E olhando agora, nunca foi. Porque eu sabia sentir e no momento em que eu descobri que tinha sido tudo mentira, eu perdi essa 'habilidade'. E agora me faz falta. E ele ainda me ama. É irônico. Mas ama. E eu queria saber sentir agora, que 'conheci' alguém tão bom e tão lindo. E que faz as coisas serem poéticas quase demais.
Mas eu lembro também que depois do último fim eu ri e saí com meus amigos. Que não me atinge. Que eu não consigo ao menos me apaixonar. Que eu não consigo ficar ansiosa o tempo todo. Que eu não consigo mais, não consigo.
E se isso for 'crescer'. Não, obrigada.