quinta-feira, dezembro 26, 2002
segunda-feira, dezembro 16, 2002
domingo, dezembro 15, 2002
- Me diz onde dói.
- Eu não sei.
- Aqui?
- Não.
- Aqui?
- É, um pouco, não sei. Pára de encostar em mim.
- Eu só tô querendo ajudar.
- Apertando onde dói tu vais ajudar?
- Vou saber onde, e...
- Vais fazer parar?
- Talvez.
- Não quero correr esse risco.
- Mas é assim que funciona. Eu descubro onde dói e vejo se tem como fazer parar.
- Daí é tarde demais. Daí tu já me machucasses.
- Ai, como tu és...
- Prevenida?
- Não!
- Sou sim.
- Se você fosse prevenida não estaria machucada.
- Algumas coisas são inevitáveis.
- Eu sou uma delas?
- Não. Eu te odeio.
- Por quê?
- Por ter me machucado.
- Então eu sou inevitável?
- Não (mais). Não quero falar sobre isso. Só vai embora.
- Por que pedisse pra eu vir, então?
- Porque eu sou tola. Vai embora.
- Vai continuar doendo?
- Se tu não ficares cutucando, logo passa.
- Certeza?
- É. Vai embora. Eu te chamei pra me ajudar e tu acabasse me machucando.
- Eu não tive a intenção.
- É, claro que não teve. Mas também não te importas.
- Pára de ser assim, você é louca.
- Problema meu.
- Tá. Eu vou indo então.
- Não te importas, né?
- Tá vendo como você é?
- Te importas ou não?
- Me importo. Mas sabes que não posso fazer nada além disso.
- Fizesse algo além disso...
- Eu não sei o que te dizer. Preciso ir.
- Como sempre.
- Não seja assim.
- Tchau, tchau... Eu fico melhor sozinha.
- Quer que eu chame alguém pra te ajudar?
- Não. Sai daqui.
- Te cuida.
- Jogador...
- Eu não sei.
- Aqui?
- Não.
- Aqui?
- É, um pouco, não sei. Pára de encostar em mim.
- Eu só tô querendo ajudar.
- Apertando onde dói tu vais ajudar?
- Vou saber onde, e...
- Vais fazer parar?
- Talvez.
- Não quero correr esse risco.
- Mas é assim que funciona. Eu descubro onde dói e vejo se tem como fazer parar.
- Daí é tarde demais. Daí tu já me machucasses.
- Ai, como tu és...
- Prevenida?
- Não!
- Sou sim.
- Se você fosse prevenida não estaria machucada.
- Algumas coisas são inevitáveis.
- Eu sou uma delas?
- Não. Eu te odeio.
- Por quê?
- Por ter me machucado.
- Então eu sou inevitável?
- Não (mais). Não quero falar sobre isso. Só vai embora.
- Por que pedisse pra eu vir, então?
- Porque eu sou tola. Vai embora.
- Vai continuar doendo?
- Se tu não ficares cutucando, logo passa.
- Certeza?
- É. Vai embora. Eu te chamei pra me ajudar e tu acabasse me machucando.
- Eu não tive a intenção.
- É, claro que não teve. Mas também não te importas.
- Pára de ser assim, você é louca.
- Problema meu.
- Tá. Eu vou indo então.
- Não te importas, né?
- Tá vendo como você é?
- Te importas ou não?
- Me importo. Mas sabes que não posso fazer nada além disso.
- Fizesse algo além disso...
- Eu não sei o que te dizer. Preciso ir.
- Como sempre.
- Não seja assim.
- Tchau, tchau... Eu fico melhor sozinha.
- Quer que eu chame alguém pra te ajudar?
- Não. Sai daqui.
- Te cuida.
- Jogador...
quinta-feira, dezembro 12, 2002
"Ele me pediu pra devolver todos os presentes. Todas as caixas, todos os cartões, todos os beijos e as promessas de que ele nunca iria me deixar.
Eu devolvi sem mágoa, junto com os restos de bom senso que eu insistia em preservar. Depois, deixei as saudades junto com o lixo do apartamento dele que eu levei pra fora. Deixei tudo lá, prometendo que nada daquilo jamais me perseguiria.
Prometi, pra mim mesma, que acharia alguém melhor e fingiria me apaixonar. Emagreceria, compraria um vestido azul, faria novos amigos e teria um compromisso agendado pra cada fim-de-semana pelo resto do ano. Prometi sem saber. Prometi perdida no espanto que foi pra mim o fato de ele me deixar. Prometi por medo de não ter mais nada, nem por fora e nem por dentro. [...]"
Dessas histórias incompletas que eu insisto em contar pra não esquecer do que me fez perder.
Eu devolvi sem mágoa, junto com os restos de bom senso que eu insistia em preservar. Depois, deixei as saudades junto com o lixo do apartamento dele que eu levei pra fora. Deixei tudo lá, prometendo que nada daquilo jamais me perseguiria.
Prometi, pra mim mesma, que acharia alguém melhor e fingiria me apaixonar. Emagreceria, compraria um vestido azul, faria novos amigos e teria um compromisso agendado pra cada fim-de-semana pelo resto do ano. Prometi sem saber. Prometi perdida no espanto que foi pra mim o fato de ele me deixar. Prometi por medo de não ter mais nada, nem por fora e nem por dentro. [...]"
Dessas histórias incompletas que eu insisto em contar pra não esquecer do que me fez perder.
quarta-feira, dezembro 11, 2002
Aqui do mundo real:
Eu imagino se você sabe que eu tô triste e chorando e que é por tua causa, e ao mesmo tempo não. É, porque algumas coisas só tu entenderias e é difícil de sentir quando eu não te tenho ao meu lado pra concordar e entender. E entender o porquê de eu não ir pra aula. Entender o porquê de eu dormir tanto. Entender o porquê do meu silêncio.
Só tu que não me acharias uma tola por chorar vendo as luzes daqui, algumas delas.
Só tu que ouvirias opiate slopes comigo, à noite, abraçados, sem dizer que o que eu ouço anda depressivo demais. E daí seria daquelas coisas lindas e calmas e perfeitas. E eu teria o que ninguém mais tem. E quando eu enlouquecesse e rasgasse o que eu tenho pra estudar, tu dirias pra eu esquecer. Sentarias ao meu lado e me abraçarias. E depois, como se eu fosse uma criança mimada e boba, me mostrarias que eu preciso estudar sim, e que não é tão difícil, after all. E eu teria que ver, de uma vez por todas, que não é o fim do mundo. Que o que importaria seria que estaríamos juntos, o que quer que acontecesse. Talvez você até me beijasse demorado enquanto eu tivesse com o rosto todo coberto de lágrimas, e comprasse nossas passagens e nós voltaríamos pra casa. E me desculparia por qualquer erro de português. E ririas dos meus ciúmes e dos meus protestos diários de "o mundo é injusto". E nos finais de semana decidiríamos juntos o que fazer. Convidaríamos 'nossa' melhor amiga. Ouviríamos Teenage Fanclub, pra dar aquele ar de "tá tudo bem". E eu te contaria coisas sobre os lugares da cidade onde a gente estivesse passando. E tu esquecerias tudo depois de uma semana, como sempre. Ou não prestarias atenção, mas isso não me incomodaria.
Sentaríamos, eu com as pernas entrelaçadas e apoiada no teu ombro e tu me afastando porque terias algo pra fazer. Mas no final eu sempre ganho. Até que se prove o contrário e eu tire o sorriso bobo do rosto. Talvez a gente cozinhasse juntos, ou chegasse à conclusão de que nenhum de nós cozinha tão bem assim. Daí teríamos a 'nossa' pizza e os nossos olhos e as nossas histórias. E seríamos felizes pelo simples fato de que isso ninguém poderia nos roubar. Não mais.
E eu acordaria, feliz por um sonho bom em meio a tantos pesadelos.
Eu imagino se você sabe que eu tô triste e chorando e que é por tua causa, e ao mesmo tempo não. É, porque algumas coisas só tu entenderias e é difícil de sentir quando eu não te tenho ao meu lado pra concordar e entender. E entender o porquê de eu não ir pra aula. Entender o porquê de eu dormir tanto. Entender o porquê do meu silêncio.
Só tu que não me acharias uma tola por chorar vendo as luzes daqui, algumas delas.
Só tu que ouvirias opiate slopes comigo, à noite, abraçados, sem dizer que o que eu ouço anda depressivo demais. E daí seria daquelas coisas lindas e calmas e perfeitas. E eu teria o que ninguém mais tem. E quando eu enlouquecesse e rasgasse o que eu tenho pra estudar, tu dirias pra eu esquecer. Sentarias ao meu lado e me abraçarias. E depois, como se eu fosse uma criança mimada e boba, me mostrarias que eu preciso estudar sim, e que não é tão difícil, after all. E eu teria que ver, de uma vez por todas, que não é o fim do mundo. Que o que importaria seria que estaríamos juntos, o que quer que acontecesse. Talvez você até me beijasse demorado enquanto eu tivesse com o rosto todo coberto de lágrimas, e comprasse nossas passagens e nós voltaríamos pra casa. E me desculparia por qualquer erro de português. E ririas dos meus ciúmes e dos meus protestos diários de "o mundo é injusto". E nos finais de semana decidiríamos juntos o que fazer. Convidaríamos 'nossa' melhor amiga. Ouviríamos Teenage Fanclub, pra dar aquele ar de "tá tudo bem". E eu te contaria coisas sobre os lugares da cidade onde a gente estivesse passando. E tu esquecerias tudo depois de uma semana, como sempre. Ou não prestarias atenção, mas isso não me incomodaria.
Sentaríamos, eu com as pernas entrelaçadas e apoiada no teu ombro e tu me afastando porque terias algo pra fazer. Mas no final eu sempre ganho. Até que se prove o contrário e eu tire o sorriso bobo do rosto. Talvez a gente cozinhasse juntos, ou chegasse à conclusão de que nenhum de nós cozinha tão bem assim. Daí teríamos a 'nossa' pizza e os nossos olhos e as nossas histórias. E seríamos felizes pelo simples fato de que isso ninguém poderia nos roubar. Não mais.
E eu acordaria, feliz por um sonho bom em meio a tantos pesadelos.
segunda-feira, dezembro 09, 2002
Estava triste. Ele sabia. Sempre sabia quando ela/eu estava triste. E sabia o porquê e sabia o quanto e sabia como; lia suas verdades tatuadas no azul dos olhos dela. Agora já vermelhos de lágrimas.
Sabia que por trás daquele sorriso e daquele esforço pra tudo ficar bem, ela chorava. Sabia que ela fingia bem até demais. Que sofria por não conseguir se livrar do que ela considerava uma obrigatoriedade de fazer o bem pra todo mundo, menos pra si mesma. O que não sabia era que pra ela era mais fácil fazer aos outros, porque nunca conseguia decidir o que queria ao certo.Porque nunca soube. E quando sabia, era tão fácil achar uma desculpa... Era tão mais fácil não ver do que admitir que estava tudo bem. Tão mais fácil reclamar que seus relacionamentos não duravam. Tão mais fácil ficar sozinha e não ter que dever nada a ninguém.
E no final, tão mais fácil achar que tudo acaba por qualquer errinho bobo...
Pra não ter que pensar a respeito. Nem pedir desculpas. Nem reconhecer.
Pra não ter que achar um jeito de contornar os problemas, e não ter que conversar.
Ela odiava conversar. Preferia trancar-se num quarto e chorar e assumir toda culpa. Não gostava de conflitos e/ou simplesmente não se dava ao trabalho de discutir. Fechava os olhos e queria que tudo sumisse. Queria que se resolvesse assim. Que o tempo voltasse, talvez.
Mas nada sumia e nada voltava. Então ela reconhecia seu erro, estragava tudo um pouco mais e ía embora. Por ser covarde. Por ser cansada. Cansada daquele pseudo-altruísmo na qual a enquadravam. Ela não se dava ao trabalho, na verdade. Era comodista. Só isso.
Então ela tentava se definir. Tentava se encaixar, se explicar. Tentava se convencer de que estava tudo bem. Tentava não precisar de remédios, pra não parecer uma fraca idiota hipocondríaca. Pra não ser rotulada por todos aqueles babacas que se achavam no direito.
Ela tentava. Como também tentava muita coisa mais, quando, às-vezes-com-certeza-a-maioria-do-tempo, preferia sumir. Calma como sempre. Suave como nunca. Sumir.
Sabia que por trás daquele sorriso e daquele esforço pra tudo ficar bem, ela chorava. Sabia que ela fingia bem até demais. Que sofria por não conseguir se livrar do que ela considerava uma obrigatoriedade de fazer o bem pra todo mundo, menos pra si mesma. O que não sabia era que pra ela era mais fácil fazer aos outros, porque nunca conseguia decidir o que queria ao certo.Porque nunca soube. E quando sabia, era tão fácil achar uma desculpa... Era tão mais fácil não ver do que admitir que estava tudo bem. Tão mais fácil reclamar que seus relacionamentos não duravam. Tão mais fácil ficar sozinha e não ter que dever nada a ninguém.
E no final, tão mais fácil achar que tudo acaba por qualquer errinho bobo...
Pra não ter que pensar a respeito. Nem pedir desculpas. Nem reconhecer.
Pra não ter que achar um jeito de contornar os problemas, e não ter que conversar.
Ela odiava conversar. Preferia trancar-se num quarto e chorar e assumir toda culpa. Não gostava de conflitos e/ou simplesmente não se dava ao trabalho de discutir. Fechava os olhos e queria que tudo sumisse. Queria que se resolvesse assim. Que o tempo voltasse, talvez.
Mas nada sumia e nada voltava. Então ela reconhecia seu erro, estragava tudo um pouco mais e ía embora. Por ser covarde. Por ser cansada. Cansada daquele pseudo-altruísmo na qual a enquadravam. Ela não se dava ao trabalho, na verdade. Era comodista. Só isso.
Então ela tentava se definir. Tentava se encaixar, se explicar. Tentava se convencer de que estava tudo bem. Tentava não precisar de remédios, pra não parecer uma fraca idiota hipocondríaca. Pra não ser rotulada por todos aqueles babacas que se achavam no direito.
Ela tentava. Como também tentava muita coisa mais, quando, às-vezes-com-certeza-a-maioria-do-tempo, preferia sumir. Calma como sempre. Suave como nunca. Sumir.
quinta-feira, dezembro 05, 2002
Ele podia ver por trás dos olhos dela o que ela queria, toda vez que ela fingia dizer algo. E ela acreditava que podia alimentar-se pra sempre do calor que sentia toda vez que seus olhares se cruzavam.
Achavam eles tão diferentes. Tão iguais. Achavam, esqueciam.
Esqueciam e davam importância a outras coisas.
Ela encontrava ali o seu alívio. E não conseguia jamais deixar de temer o mesmo fim que por tantas vezes ocorreu. Mas era assim que seria. Qualquer um saberia. E ela deveria ver isso no modo como ele beijava sua mão. No modo como ele ao mesmo tempo não se importava. No modo como ele sorria. No modo como era mais engraçado do que real.
E ele deveria... Ele deveria. Porque ela não achava nele nenhum defeito. Porque era perto dele que ela queria estar.
Achavam eles tão diferentes. Tão iguais. Achavam, esqueciam.
Esqueciam e davam importância a outras coisas.
Ela encontrava ali o seu alívio. E não conseguia jamais deixar de temer o mesmo fim que por tantas vezes ocorreu. Mas era assim que seria. Qualquer um saberia. E ela deveria ver isso no modo como ele beijava sua mão. No modo como ele ao mesmo tempo não se importava. No modo como ele sorria. No modo como era mais engraçado do que real.
E ele deveria... Ele deveria. Porque ela não achava nele nenhum defeito. Porque era perto dele que ela queria estar.