quinta-feira, dezembro 05, 2002

Ele podia ver por trás dos olhos dela o que ela queria, toda vez que ela fingia dizer algo. E ela acreditava que podia alimentar-se pra sempre do calor que sentia toda vez que seus olhares se cruzavam.
Achavam eles tão diferentes. Tão iguais. Achavam, esqueciam.
Esqueciam e davam importância a outras coisas.
Ela encontrava ali o seu alívio. E não conseguia jamais deixar de temer o mesmo fim que por tantas vezes ocorreu. Mas era assim que seria. Qualquer um saberia. E ela deveria ver isso no modo como ele beijava sua mão. No modo como ele ao mesmo tempo não se importava. No modo como ele sorria. No modo como era mais engraçado do que real.
E ele deveria... Ele deveria. Porque ela não achava nele nenhum defeito. Porque era perto dele que ela queria estar.