quarta-feira, dezembro 11, 2002

Aqui do mundo real:

Eu imagino se você sabe que eu tô triste e chorando e que é por tua causa, e ao mesmo tempo não. É, porque algumas coisas só tu entenderias e é difícil de sentir quando eu não te tenho ao meu lado pra concordar e entender. E entender o porquê de eu não ir pra aula. Entender o porquê de eu dormir tanto. Entender o porquê do meu silêncio.
Só tu que não me acharias uma tola por chorar vendo as luzes daqui, algumas delas.
Só tu que ouvirias opiate slopes comigo, à noite, abraçados, sem dizer que o que eu ouço anda depressivo demais. E daí seria daquelas coisas lindas e calmas e perfeitas. E eu teria o que ninguém mais tem. E quando eu enlouquecesse e rasgasse o que eu tenho pra estudar, tu dirias pra eu esquecer. Sentarias ao meu lado e me abraçarias. E depois, como se eu fosse uma criança mimada e boba, me mostrarias que eu preciso estudar sim, e que não é tão difícil, after all. E eu teria que ver, de uma vez por todas, que não é o fim do mundo. Que o que importaria seria que estaríamos juntos, o que quer que acontecesse. Talvez você até me beijasse demorado enquanto eu tivesse com o rosto todo coberto de lágrimas, e comprasse nossas passagens e nós voltaríamos pra casa. E me desculparia por qualquer erro de português. E ririas dos meus ciúmes e dos meus protestos diários de "o mundo é injusto". E nos finais de semana decidiríamos juntos o que fazer. Convidaríamos 'nossa' melhor amiga. Ouviríamos Teenage Fanclub, pra dar aquele ar de "tá tudo bem". E eu te contaria coisas sobre os lugares da cidade onde a gente estivesse passando. E tu esquecerias tudo depois de uma semana, como sempre. Ou não prestarias atenção, mas isso não me incomodaria.
Sentaríamos, eu com as pernas entrelaçadas e apoiada no teu ombro e tu me afastando porque terias algo pra fazer. Mas no final eu sempre ganho. Até que se prove o contrário e eu tire o sorriso bobo do rosto. Talvez a gente cozinhasse juntos, ou chegasse à conclusão de que nenhum de nós cozinha tão bem assim. Daí teríamos a 'nossa' pizza e os nossos olhos e as nossas histórias. E seríamos felizes pelo simples fato de que isso ninguém poderia nos roubar. Não mais.
E eu acordaria, feliz por um sonho bom em meio a tantos pesadelos.