quarta-feira, outubro 02, 2002
The Best You Can Is Good Enough
I`d really like to help you, but...
Não, eu não posso exigir nada. "Entende, é difícil pra mim também: Tô abrindo mão, mas é pra ficar sozinha." Foi o que eu disse, como quem exige algo. Como quem é sincero demais com o que sente. Como quem passaria a noite chorando. Mas noite chorando não combina comigo. Nunca combinou.
E é lindo. O nada tão grande. Ew, eu sei que não.
Dá pra imaginar o quanto dói isso? O "não-poder"? ... É, não dá. Eu sei até de "alguém" que diria que isso não existe. Que é ele que não me quis/quer. Não o suficiente. É, talvez seja. Talvez não. Sabe o que é sofrer por escolha própria? Isso sim. Isso eu admito, do princípio ao fim. Talvez seja um mini-resgate. Talvez seja isso que me afaste o suficiente de todo o resto pra me salvar. Ou eu não quero ser salva. E é muita contradição. E minha dialética é muito diferente às vezes, admitamos.
A verdade é que eu cansei de coisas que são. E não são. E assim sucessivamente. Acho que mais que uma mentira dói um fim. Só nesse caso. Só no caso do "eu não te amo mais". E não é esse o problema. O problema é o quanto eu temo que isso aconteça novamente, qualquer que seja a minha posição.
Agora eu vou viver um presente meio doente. Meio sem vontade pra nada, for a while. Vou crer que nada mais me faz bem. Que ninguém vai me tocar do jeito certo. Que ninguém vai me fazer querer me entregar. Que não vou mais "me jogar", ainda que eu tenha dito isso tantas e tantas vezes. Mas agora o medo é maior. E eu não me dou ao trabalho de lutar contra esse medo. Não mais. Agora eu vou me achar inventando problemas. E vão achar isso de mim. E vão me dizer que eu sempre fui assim. E eu vou querer me conformar. E me dar ao trabalho de mandar tudo à merda, ao mesmo tempo. Sumir e aparecer demais ao mesmo tempo. Chorar e sorrir. Me importar e fingir que não. Te dizer "adeus" e "não pensa que eu fui por não te amar". Ainda que não tenha sido assim.
Ai, e "how is it you feel when you run"? Minha vontade é de nunca mais passar por nada disso. De não (te) achar lindo lindo demais. De não achar que só tu. Que eu guardei essa merda toda dentro de mim como quem quarda espinhos cravados nos pés. Essa merda toda chamada "amor" que diz aquela nossa música que sempre foi. E dizem, acredite, já ouvi... que nós sempre fomos um pouco "meant to be". E eu amei aquela palidez, aquele modo de cruzar as pernas, aquele sorriso, aquela timidez simulada, aquele medo e a irônica sinceridade. Dá pra entender o quanto dói, agora? O quanto eu choraria, se eu soubesse como? O quanto isso é uma pequena prévia (do) que me amedronta? O quanto dói ouvir "Eu não sei o que te dizer"? E como eu não te odeio? Não consigo. Te odiaria se não fosses um veneno do qual eu adoro provar. Se eu não estivesse ocupada demais irritada com o destino. Te odiaria se a mim não bastasse ouvir tua voz pra não querer mais nada. Pra esquecer que, de algumas coisas, eu preciso. Te odiaria, se não tivesse ouvido mil vezes "não se apaixone". Se eu não soubesse do teu medo de me machucar.
E sabe o que? Eu queria que me machucasses. Que me permitisses cair, de bem alto. Que me deixasses. Mas que eu te tivesse antes. Que eu acordasse, depois de muito tempo, jogada numa cama num quarto escuro. Sozinha, chorando. Que eu te sentisse pra sempre "entre meus rins". Que eu continuasse com aquele ritual de passar horas me arrumando toda vez que eu corresse o risco de te ver. E que tu me visses como um passado ruim, talvez. Que eu falasse, um dia, pra uma amiga que confessasse seu amor por ti: "É, ele é uma boa pessoa.". E sorrisse. Eu. E que daí eu visse que era hora de te esquecer. Daí eu me mudaria. Trabalharia, casaria. Teria dois filhos e gostaria mais de um deles. Tentaria o suicídio, de vez em quando. E morrerria numa tarde estranha de outono.
Mas agora eu vou fingir que nada disso aconteceu. É isso, né? Vou te ver beijando alguém e vou tentar não chorar na tua frente. Eu não daria esse mérito a ninguém. Não jogaria no lixo esse meu orgulho chato. Vou usar ele pra secar minhas lágrimas, à noite, sozinha em casa. Vou mudar essa música que odeias mas que te lembra demais.
"When I`m alone and scared, I think of little rhymes. They would make no sense to you, but I make them all the time. And time is all mine. Time is all mine."
Quero desligar.
Um beijo, tchau.