Num beijo qualquer eu fecho os olhos e imagino o teu beijo. E imagino como seriam melhores aquelas mãos se fossem as tuas. E penso em voltar pra casa. Em pegar o primeiro ônibus. E lembro que tens medo também. Que és azul, e tão lindo quanto teus olhos azuis são teus olhos fechados. Somos nós perdidos nessa realidade doida, só nossa.
E eu tô tentando. Juro que estou. E queria hoje fugir pro Bangladesh. E não conta pra ninguém, mas eu te levaria comigo. És o mais longe de um problema na minha vida que anda tão confusa. És sempre a palavra mais calma, a noite mais silenciosa, e fria. E é um frio bom. E és praia no verão e abraço no inverno e todo lindo, tudo que eu sempre quis e todo mundo sempre soube.
Ainda assim, e ironicamente, eu não sei. Ou sei. Que não vai ser como deveria ser para o resto do mundo. Vai ser como nós: silencioso, calmo, lento, azul, um pouco vermelho, um pouco de esquece, um pouco de esteja comigo sempre.