quinta-feira, dezembro 26, 2002
segunda-feira, dezembro 16, 2002
domingo, dezembro 15, 2002
- Me diz onde dói.
- Eu não sei.
- Aqui?
- Não.
- Aqui?
- É, um pouco, não sei. Pára de encostar em mim.
- Eu só tô querendo ajudar.
- Apertando onde dói tu vais ajudar?
- Vou saber onde, e...
- Vais fazer parar?
- Talvez.
- Não quero correr esse risco.
- Mas é assim que funciona. Eu descubro onde dói e vejo se tem como fazer parar.
- Daí é tarde demais. Daí tu já me machucasses.
- Ai, como tu és...
- Prevenida?
- Não!
- Sou sim.
- Se você fosse prevenida não estaria machucada.
- Algumas coisas são inevitáveis.
- Eu sou uma delas?
- Não. Eu te odeio.
- Por quê?
- Por ter me machucado.
- Então eu sou inevitável?
- Não (mais). Não quero falar sobre isso. Só vai embora.
- Por que pedisse pra eu vir, então?
- Porque eu sou tola. Vai embora.
- Vai continuar doendo?
- Se tu não ficares cutucando, logo passa.
- Certeza?
- É. Vai embora. Eu te chamei pra me ajudar e tu acabasse me machucando.
- Eu não tive a intenção.
- É, claro que não teve. Mas também não te importas.
- Pára de ser assim, você é louca.
- Problema meu.
- Tá. Eu vou indo então.
- Não te importas, né?
- Tá vendo como você é?
- Te importas ou não?
- Me importo. Mas sabes que não posso fazer nada além disso.
- Fizesse algo além disso...
- Eu não sei o que te dizer. Preciso ir.
- Como sempre.
- Não seja assim.
- Tchau, tchau... Eu fico melhor sozinha.
- Quer que eu chame alguém pra te ajudar?
- Não. Sai daqui.
- Te cuida.
- Jogador...
- Eu não sei.
- Aqui?
- Não.
- Aqui?
- É, um pouco, não sei. Pára de encostar em mim.
- Eu só tô querendo ajudar.
- Apertando onde dói tu vais ajudar?
- Vou saber onde, e...
- Vais fazer parar?
- Talvez.
- Não quero correr esse risco.
- Mas é assim que funciona. Eu descubro onde dói e vejo se tem como fazer parar.
- Daí é tarde demais. Daí tu já me machucasses.
- Ai, como tu és...
- Prevenida?
- Não!
- Sou sim.
- Se você fosse prevenida não estaria machucada.
- Algumas coisas são inevitáveis.
- Eu sou uma delas?
- Não. Eu te odeio.
- Por quê?
- Por ter me machucado.
- Então eu sou inevitável?
- Não (mais). Não quero falar sobre isso. Só vai embora.
- Por que pedisse pra eu vir, então?
- Porque eu sou tola. Vai embora.
- Vai continuar doendo?
- Se tu não ficares cutucando, logo passa.
- Certeza?
- É. Vai embora. Eu te chamei pra me ajudar e tu acabasse me machucando.
- Eu não tive a intenção.
- É, claro que não teve. Mas também não te importas.
- Pára de ser assim, você é louca.
- Problema meu.
- Tá. Eu vou indo então.
- Não te importas, né?
- Tá vendo como você é?
- Te importas ou não?
- Me importo. Mas sabes que não posso fazer nada além disso.
- Fizesse algo além disso...
- Eu não sei o que te dizer. Preciso ir.
- Como sempre.
- Não seja assim.
- Tchau, tchau... Eu fico melhor sozinha.
- Quer que eu chame alguém pra te ajudar?
- Não. Sai daqui.
- Te cuida.
- Jogador...
quinta-feira, dezembro 12, 2002
"Ele me pediu pra devolver todos os presentes. Todas as caixas, todos os cartões, todos os beijos e as promessas de que ele nunca iria me deixar.
Eu devolvi sem mágoa, junto com os restos de bom senso que eu insistia em preservar. Depois, deixei as saudades junto com o lixo do apartamento dele que eu levei pra fora. Deixei tudo lá, prometendo que nada daquilo jamais me perseguiria.
Prometi, pra mim mesma, que acharia alguém melhor e fingiria me apaixonar. Emagreceria, compraria um vestido azul, faria novos amigos e teria um compromisso agendado pra cada fim-de-semana pelo resto do ano. Prometi sem saber. Prometi perdida no espanto que foi pra mim o fato de ele me deixar. Prometi por medo de não ter mais nada, nem por fora e nem por dentro. [...]"
Dessas histórias incompletas que eu insisto em contar pra não esquecer do que me fez perder.
Eu devolvi sem mágoa, junto com os restos de bom senso que eu insistia em preservar. Depois, deixei as saudades junto com o lixo do apartamento dele que eu levei pra fora. Deixei tudo lá, prometendo que nada daquilo jamais me perseguiria.
Prometi, pra mim mesma, que acharia alguém melhor e fingiria me apaixonar. Emagreceria, compraria um vestido azul, faria novos amigos e teria um compromisso agendado pra cada fim-de-semana pelo resto do ano. Prometi sem saber. Prometi perdida no espanto que foi pra mim o fato de ele me deixar. Prometi por medo de não ter mais nada, nem por fora e nem por dentro. [...]"
Dessas histórias incompletas que eu insisto em contar pra não esquecer do que me fez perder.
quarta-feira, dezembro 11, 2002
Aqui do mundo real:
Eu imagino se você sabe que eu tô triste e chorando e que é por tua causa, e ao mesmo tempo não. É, porque algumas coisas só tu entenderias e é difícil de sentir quando eu não te tenho ao meu lado pra concordar e entender. E entender o porquê de eu não ir pra aula. Entender o porquê de eu dormir tanto. Entender o porquê do meu silêncio.
Só tu que não me acharias uma tola por chorar vendo as luzes daqui, algumas delas.
Só tu que ouvirias opiate slopes comigo, à noite, abraçados, sem dizer que o que eu ouço anda depressivo demais. E daí seria daquelas coisas lindas e calmas e perfeitas. E eu teria o que ninguém mais tem. E quando eu enlouquecesse e rasgasse o que eu tenho pra estudar, tu dirias pra eu esquecer. Sentarias ao meu lado e me abraçarias. E depois, como se eu fosse uma criança mimada e boba, me mostrarias que eu preciso estudar sim, e que não é tão difícil, after all. E eu teria que ver, de uma vez por todas, que não é o fim do mundo. Que o que importaria seria que estaríamos juntos, o que quer que acontecesse. Talvez você até me beijasse demorado enquanto eu tivesse com o rosto todo coberto de lágrimas, e comprasse nossas passagens e nós voltaríamos pra casa. E me desculparia por qualquer erro de português. E ririas dos meus ciúmes e dos meus protestos diários de "o mundo é injusto". E nos finais de semana decidiríamos juntos o que fazer. Convidaríamos 'nossa' melhor amiga. Ouviríamos Teenage Fanclub, pra dar aquele ar de "tá tudo bem". E eu te contaria coisas sobre os lugares da cidade onde a gente estivesse passando. E tu esquecerias tudo depois de uma semana, como sempre. Ou não prestarias atenção, mas isso não me incomodaria.
Sentaríamos, eu com as pernas entrelaçadas e apoiada no teu ombro e tu me afastando porque terias algo pra fazer. Mas no final eu sempre ganho. Até que se prove o contrário e eu tire o sorriso bobo do rosto. Talvez a gente cozinhasse juntos, ou chegasse à conclusão de que nenhum de nós cozinha tão bem assim. Daí teríamos a 'nossa' pizza e os nossos olhos e as nossas histórias. E seríamos felizes pelo simples fato de que isso ninguém poderia nos roubar. Não mais.
E eu acordaria, feliz por um sonho bom em meio a tantos pesadelos.
Eu imagino se você sabe que eu tô triste e chorando e que é por tua causa, e ao mesmo tempo não. É, porque algumas coisas só tu entenderias e é difícil de sentir quando eu não te tenho ao meu lado pra concordar e entender. E entender o porquê de eu não ir pra aula. Entender o porquê de eu dormir tanto. Entender o porquê do meu silêncio.
Só tu que não me acharias uma tola por chorar vendo as luzes daqui, algumas delas.
Só tu que ouvirias opiate slopes comigo, à noite, abraçados, sem dizer que o que eu ouço anda depressivo demais. E daí seria daquelas coisas lindas e calmas e perfeitas. E eu teria o que ninguém mais tem. E quando eu enlouquecesse e rasgasse o que eu tenho pra estudar, tu dirias pra eu esquecer. Sentarias ao meu lado e me abraçarias. E depois, como se eu fosse uma criança mimada e boba, me mostrarias que eu preciso estudar sim, e que não é tão difícil, after all. E eu teria que ver, de uma vez por todas, que não é o fim do mundo. Que o que importaria seria que estaríamos juntos, o que quer que acontecesse. Talvez você até me beijasse demorado enquanto eu tivesse com o rosto todo coberto de lágrimas, e comprasse nossas passagens e nós voltaríamos pra casa. E me desculparia por qualquer erro de português. E ririas dos meus ciúmes e dos meus protestos diários de "o mundo é injusto". E nos finais de semana decidiríamos juntos o que fazer. Convidaríamos 'nossa' melhor amiga. Ouviríamos Teenage Fanclub, pra dar aquele ar de "tá tudo bem". E eu te contaria coisas sobre os lugares da cidade onde a gente estivesse passando. E tu esquecerias tudo depois de uma semana, como sempre. Ou não prestarias atenção, mas isso não me incomodaria.
Sentaríamos, eu com as pernas entrelaçadas e apoiada no teu ombro e tu me afastando porque terias algo pra fazer. Mas no final eu sempre ganho. Até que se prove o contrário e eu tire o sorriso bobo do rosto. Talvez a gente cozinhasse juntos, ou chegasse à conclusão de que nenhum de nós cozinha tão bem assim. Daí teríamos a 'nossa' pizza e os nossos olhos e as nossas histórias. E seríamos felizes pelo simples fato de que isso ninguém poderia nos roubar. Não mais.
E eu acordaria, feliz por um sonho bom em meio a tantos pesadelos.
segunda-feira, dezembro 09, 2002
Estava triste. Ele sabia. Sempre sabia quando ela/eu estava triste. E sabia o porquê e sabia o quanto e sabia como; lia suas verdades tatuadas no azul dos olhos dela. Agora já vermelhos de lágrimas.
Sabia que por trás daquele sorriso e daquele esforço pra tudo ficar bem, ela chorava. Sabia que ela fingia bem até demais. Que sofria por não conseguir se livrar do que ela considerava uma obrigatoriedade de fazer o bem pra todo mundo, menos pra si mesma. O que não sabia era que pra ela era mais fácil fazer aos outros, porque nunca conseguia decidir o que queria ao certo.Porque nunca soube. E quando sabia, era tão fácil achar uma desculpa... Era tão mais fácil não ver do que admitir que estava tudo bem. Tão mais fácil reclamar que seus relacionamentos não duravam. Tão mais fácil ficar sozinha e não ter que dever nada a ninguém.
E no final, tão mais fácil achar que tudo acaba por qualquer errinho bobo...
Pra não ter que pensar a respeito. Nem pedir desculpas. Nem reconhecer.
Pra não ter que achar um jeito de contornar os problemas, e não ter que conversar.
Ela odiava conversar. Preferia trancar-se num quarto e chorar e assumir toda culpa. Não gostava de conflitos e/ou simplesmente não se dava ao trabalho de discutir. Fechava os olhos e queria que tudo sumisse. Queria que se resolvesse assim. Que o tempo voltasse, talvez.
Mas nada sumia e nada voltava. Então ela reconhecia seu erro, estragava tudo um pouco mais e ía embora. Por ser covarde. Por ser cansada. Cansada daquele pseudo-altruísmo na qual a enquadravam. Ela não se dava ao trabalho, na verdade. Era comodista. Só isso.
Então ela tentava se definir. Tentava se encaixar, se explicar. Tentava se convencer de que estava tudo bem. Tentava não precisar de remédios, pra não parecer uma fraca idiota hipocondríaca. Pra não ser rotulada por todos aqueles babacas que se achavam no direito.
Ela tentava. Como também tentava muita coisa mais, quando, às-vezes-com-certeza-a-maioria-do-tempo, preferia sumir. Calma como sempre. Suave como nunca. Sumir.
Sabia que por trás daquele sorriso e daquele esforço pra tudo ficar bem, ela chorava. Sabia que ela fingia bem até demais. Que sofria por não conseguir se livrar do que ela considerava uma obrigatoriedade de fazer o bem pra todo mundo, menos pra si mesma. O que não sabia era que pra ela era mais fácil fazer aos outros, porque nunca conseguia decidir o que queria ao certo.Porque nunca soube. E quando sabia, era tão fácil achar uma desculpa... Era tão mais fácil não ver do que admitir que estava tudo bem. Tão mais fácil reclamar que seus relacionamentos não duravam. Tão mais fácil ficar sozinha e não ter que dever nada a ninguém.
E no final, tão mais fácil achar que tudo acaba por qualquer errinho bobo...
Pra não ter que pensar a respeito. Nem pedir desculpas. Nem reconhecer.
Pra não ter que achar um jeito de contornar os problemas, e não ter que conversar.
Ela odiava conversar. Preferia trancar-se num quarto e chorar e assumir toda culpa. Não gostava de conflitos e/ou simplesmente não se dava ao trabalho de discutir. Fechava os olhos e queria que tudo sumisse. Queria que se resolvesse assim. Que o tempo voltasse, talvez.
Mas nada sumia e nada voltava. Então ela reconhecia seu erro, estragava tudo um pouco mais e ía embora. Por ser covarde. Por ser cansada. Cansada daquele pseudo-altruísmo na qual a enquadravam. Ela não se dava ao trabalho, na verdade. Era comodista. Só isso.
Então ela tentava se definir. Tentava se encaixar, se explicar. Tentava se convencer de que estava tudo bem. Tentava não precisar de remédios, pra não parecer uma fraca idiota hipocondríaca. Pra não ser rotulada por todos aqueles babacas que se achavam no direito.
Ela tentava. Como também tentava muita coisa mais, quando, às-vezes-com-certeza-a-maioria-do-tempo, preferia sumir. Calma como sempre. Suave como nunca. Sumir.
quinta-feira, dezembro 05, 2002
Ele podia ver por trás dos olhos dela o que ela queria, toda vez que ela fingia dizer algo. E ela acreditava que podia alimentar-se pra sempre do calor que sentia toda vez que seus olhares se cruzavam.
Achavam eles tão diferentes. Tão iguais. Achavam, esqueciam.
Esqueciam e davam importância a outras coisas.
Ela encontrava ali o seu alívio. E não conseguia jamais deixar de temer o mesmo fim que por tantas vezes ocorreu. Mas era assim que seria. Qualquer um saberia. E ela deveria ver isso no modo como ele beijava sua mão. No modo como ele ao mesmo tempo não se importava. No modo como ele sorria. No modo como era mais engraçado do que real.
E ele deveria... Ele deveria. Porque ela não achava nele nenhum defeito. Porque era perto dele que ela queria estar.
Achavam eles tão diferentes. Tão iguais. Achavam, esqueciam.
Esqueciam e davam importância a outras coisas.
Ela encontrava ali o seu alívio. E não conseguia jamais deixar de temer o mesmo fim que por tantas vezes ocorreu. Mas era assim que seria. Qualquer um saberia. E ela deveria ver isso no modo como ele beijava sua mão. No modo como ele ao mesmo tempo não se importava. No modo como ele sorria. No modo como era mais engraçado do que real.
E ele deveria... Ele deveria. Porque ela não achava nele nenhum defeito. Porque era perto dele que ela queria estar.
terça-feira, dezembro 03, 2002
quarta-feira, novembro 27, 2002
Over.reaction;
Acho que é normal gostar de olhar de dentro pra fora o nome escrito ao contrário num vidro. Ter fotos com amigos. Ter dedicatória. Normal surtar de vez em quando. Normal que ninguém entenda, às vezes. Normal que Ele sempre ache o errado. (Ele até aqui? Desde sempre.)
Normal ter raiva: raiva de todos me culparem por eu ser efêmera demais sem notar que eu só me "adapto". Não, não vou deixar o realismo desculpar meus erros. Que foram sim, mas não tantos.
E que talvez sejam por eu simplesmente ser uma covarde. Por eu fugir sempre que me machuco. Por fugir mudando. Por enxergar isso agora, em tão pouco.
Por eu saber que eu sei esquecer como eu quero. Por, quando não passar, ser pura teimosia. E tá sendo sim, mas só até eu achar alguém que eu ache que me faz mais bem. Só até existirem olhos que me agradem mais. Era isso que Tu querias ouvir, eu sei. Então tá, tu passas. Eu te esqueço um dia, impulsionada pelos teus atos. Irritada, sim, mas não contigo. Irritada por ser tão pouco e eu me importar. Irritada por eu ter perdido o pouco-quase-nada que eu te tinha por causa dos meus erros idiotas, meus atos e fugas mal pensados. Não é mais 39,5%, né? Não, não é.
Então vamos ser amigos. Vamos fingir. Não que eu não queira. Não que eu não goste da tua presença mesmo com tão pouco. Mas tu és mais paixão-de-escola. E disso eu não gostei: de tu querer me julgar sem saber. E achar fácil. Claro, tudo é fácil. Claro, só tu que...
Ah, e vou me arrepender disso. E eu sei que é isso que afasta. Que é esse meu jeito assustador-agressivo-exagerado de reagir. Mas calma, na vida real não é tanto assim. Aqui eu somo. Sério. Aqui eu digo algo que diminua minha insônia. Que amenize meu bruxismo. Que soe desabafo. Canso de mim mesma mais que o normal. Digo mais que o normal. Digo que gosto de ti, que merda. Não 'daquele jeito'. Não como amante. Não como namorada. Não como uma psycho apaixonada. Não como amor-da-minha-vida. Gosto de ti bem mais fácil. Gosto dos teus olhos e de segurar na tua mão (e do teu beijo, mas isso eu sei que não posso, então um dia eu conserto.) e do teu cabelo macio e da tua altura e de mais coisas que eu não posso dizer aqui. (E que não são as que tu estás pensando, eu garanto.)
Gosto leve e lento e doce. Gosto bem daquele jeito como foi entendido na primeira vez que tu pegasse na minha mão, lembra? Gosto assim. De surpreender mas não assustar. De querer mas não precisar.
De quando eu sentia mas tinha (bem mais) medo de dizer.
Deixa estar.
Acho que é normal gostar de olhar de dentro pra fora o nome escrito ao contrário num vidro. Ter fotos com amigos. Ter dedicatória. Normal surtar de vez em quando. Normal que ninguém entenda, às vezes. Normal que Ele sempre ache o errado. (Ele até aqui? Desde sempre.)
Normal ter raiva: raiva de todos me culparem por eu ser efêmera demais sem notar que eu só me "adapto". Não, não vou deixar o realismo desculpar meus erros. Que foram sim, mas não tantos.
E que talvez sejam por eu simplesmente ser uma covarde. Por eu fugir sempre que me machuco. Por fugir mudando. Por enxergar isso agora, em tão pouco.
Por eu saber que eu sei esquecer como eu quero. Por, quando não passar, ser pura teimosia. E tá sendo sim, mas só até eu achar alguém que eu ache que me faz mais bem. Só até existirem olhos que me agradem mais. Era isso que Tu querias ouvir, eu sei. Então tá, tu passas. Eu te esqueço um dia, impulsionada pelos teus atos. Irritada, sim, mas não contigo. Irritada por ser tão pouco e eu me importar. Irritada por eu ter perdido o pouco-quase-nada que eu te tinha por causa dos meus erros idiotas, meus atos e fugas mal pensados. Não é mais 39,5%, né? Não, não é.
Então vamos ser amigos. Vamos fingir. Não que eu não queira. Não que eu não goste da tua presença mesmo com tão pouco. Mas tu és mais paixão-de-escola. E disso eu não gostei: de tu querer me julgar sem saber. E achar fácil. Claro, tudo é fácil. Claro, só tu que...
Ah, e vou me arrepender disso. E eu sei que é isso que afasta. Que é esse meu jeito assustador-agressivo-exagerado de reagir. Mas calma, na vida real não é tanto assim. Aqui eu somo. Sério. Aqui eu digo algo que diminua minha insônia. Que amenize meu bruxismo. Que soe desabafo. Canso de mim mesma mais que o normal. Digo mais que o normal. Digo que gosto de ti, que merda. Não 'daquele jeito'. Não como amante. Não como namorada. Não como uma psycho apaixonada. Não como amor-da-minha-vida. Gosto de ti bem mais fácil. Gosto dos teus olhos e de segurar na tua mão (e do teu beijo, mas isso eu sei que não posso, então um dia eu conserto.) e do teu cabelo macio e da tua altura e de mais coisas que eu não posso dizer aqui. (E que não são as que tu estás pensando, eu garanto.)
Gosto leve e lento e doce. Gosto bem daquele jeito como foi entendido na primeira vez que tu pegasse na minha mão, lembra? Gosto assim. De surpreender mas não assustar. De querer mas não precisar.
De quando eu sentia mas tinha (bem mais) medo de dizer.
Deixa estar.
quarta-feira, novembro 20, 2002
2 rights make 1 wrong
...E o contrário?
Agora nada. Agora só meu corpo querendo estar junto do Dele de novo. Agora só a saudade. Agora só tudo que eu quero ser pra Ele e não sou. Agora só as fotos. Agora só os papéis riscados. Agora só a lembrança do cheiro Dele. Agora só a verdade. A minha. Agora só a minha vida só com meus problemas, sós. Agora eu tento ser eu, eu que agrado. Eu que estranhamente eu fui, toda e totalmente, aquela vez. Aquela vez.
Agora devagar. Vai, eu consigo. Agora calma pra não estragar tudo. Agora, quatro minutos e cinqüenta e três segundos depois.
Ainda.Ele.
...E o contrário?
Agora nada. Agora só meu corpo querendo estar junto do Dele de novo. Agora só a saudade. Agora só tudo que eu quero ser pra Ele e não sou. Agora só as fotos. Agora só os papéis riscados. Agora só a lembrança do cheiro Dele. Agora só a verdade. A minha. Agora só a minha vida só com meus problemas, sós. Agora eu tento ser eu, eu que agrado. Eu que estranhamente eu fui, toda e totalmente, aquela vez. Aquela vez.
Agora devagar. Vai, eu consigo. Agora calma pra não estragar tudo. Agora, quatro minutos e cinqüenta e três segundos depois.
Ainda.Ele.
sexta-feira, novembro 15, 2002
quarta-feira, novembro 13, 2002
Someday
Te reconstruí, juro, depois que te fosses. Peguei todos os teus pedaços do chão e tentei montá-los da melhor forma possível. Tentei dar o mesmo brilho aos teus olhos, a mesma beleza ao teu rosto, tentei encontrar carinho no teu sorriso que eu tive que montar com lentidão.
Até quando eu sabia que não era isso. Até quando eu sabia que eu só precisava de alguém que me desse carinho. Até quando eu sabia que só queria um pouco (mais) da tua atenção, e que tu eras incapaz de dá-la. Até chorando, me ajoelhei sobre os teus pedaços pontiagudos a fim de dar a cada um deles um pouco da tua forma. E me machuquei. Mas tentei mil vezes depois. Tentei fazer com que, mesmo distante, notasses o que eu fazia por ti. Uma luta cega e boba e que todo mundo julgava sem sentido. E foi. E era. E é.
Ironicamente, és o que eu mais guardo de passado. Embora eu seja esse teu contrário. Embora sejamos algo que se esqueceu de acontecer, és o que eu diria passado. Por seres a única coisa que me prende. Minha única possibilidade de enxergar que eu não sou tão feliz assim.
-----------------
És quem pior me trata. Quem menos se importa. Quem menos me abraça. Quem mais me irrita. Quem mais machuca.
E por isso, às vezes, eu não sei. Por isso e talvez só por isso e porque existe alguém que me faz bem. O que me importa, então? É, I wish...
Te reconstruí, juro, depois que te fosses. Peguei todos os teus pedaços do chão e tentei montá-los da melhor forma possível. Tentei dar o mesmo brilho aos teus olhos, a mesma beleza ao teu rosto, tentei encontrar carinho no teu sorriso que eu tive que montar com lentidão.
Até quando eu sabia que não era isso. Até quando eu sabia que eu só precisava de alguém que me desse carinho. Até quando eu sabia que só queria um pouco (mais) da tua atenção, e que tu eras incapaz de dá-la. Até chorando, me ajoelhei sobre os teus pedaços pontiagudos a fim de dar a cada um deles um pouco da tua forma. E me machuquei. Mas tentei mil vezes depois. Tentei fazer com que, mesmo distante, notasses o que eu fazia por ti. Uma luta cega e boba e que todo mundo julgava sem sentido. E foi. E era. E é.
Ironicamente, és o que eu mais guardo de passado. Embora eu seja esse teu contrário. Embora sejamos algo que se esqueceu de acontecer, és o que eu diria passado. Por seres a única coisa que me prende. Minha única possibilidade de enxergar que eu não sou tão feliz assim.
És quem pior me trata. Quem menos se importa. Quem menos me abraça. Quem mais me irrita. Quem mais machuca.
E por isso, às vezes, eu não sei. Por isso e talvez só por isso e porque existe alguém que me faz bem. O que me importa, então? É, I wish...
domingo, novembro 10, 2002
- Eu tava pensando...
- No quê?
- Na gente.
- Na gente?
- É. Não na 'gente' mesmo. Mas...
- No mundo inteiro?
- Não. Em mim e em ti, mas não como nós.
- Ah...
- Sinto tua falta. Sinto falta do teu jeito.
- Tu não sabes o que tu queres.
- Às vezes sei.
- Mas muda. O tempo todo.
- Mas...
- Desculpa, é que é fácil perceber.
- Por que não dissesse isso antes?
- Pensei que soubesses.
- Sabias que não.
- Pensei que talvez fosse melhor assim. Pensei em tentar.
- Sabe... Eu tenho medo.
- Do quê?
- Disso que eu sou. De ser assim. De não saber.
- Não pensa tanto.
- Acho que não consigo.
- Deixa o que é passado pra trás.
- Mas eu não sei o que é passado e o que é presente.
- Não é difícil.
- Pra mim é. Vê, eu sempre insisto em voltar.
- Acho que é medo.
- É, mas do quê?
- Olha, eu acho que algumas coisas tens que descobrir sozinha.
- Não me deixa. Eu já tentei tanto, tô cansada.
- Olha, espero que passe. Gosto muito de ti.
- Mas não podes me beijar?
- Não, entende. É melhor assim.
- Eu gosto de ti, também. Gosto de muita coisa em ti. Do jeito que me fazes rir. Ninguém consegue isso. E te acho tão...
- Shhh... Deixa pra lá. Você vai achar alguém melhor.
- Mas...
- Vai sim. É sempre assim. Sempre foi assim.
- E o que eu faço enquanto não é?
- Desculpa.
- No quê?
- Na gente.
- Na gente?
- É. Não na 'gente' mesmo. Mas...
- No mundo inteiro?
- Não. Em mim e em ti, mas não como nós.
- Ah...
- Sinto tua falta. Sinto falta do teu jeito.
- Tu não sabes o que tu queres.
- Às vezes sei.
- Mas muda. O tempo todo.
- Mas...
- Desculpa, é que é fácil perceber.
- Por que não dissesse isso antes?
- Pensei que soubesses.
- Sabias que não.
- Pensei que talvez fosse melhor assim. Pensei em tentar.
- Sabe... Eu tenho medo.
- Do quê?
- Disso que eu sou. De ser assim. De não saber.
- Não pensa tanto.
- Acho que não consigo.
- Deixa o que é passado pra trás.
- Mas eu não sei o que é passado e o que é presente.
- Não é difícil.
- Pra mim é. Vê, eu sempre insisto em voltar.
- Acho que é medo.
- É, mas do quê?
- Olha, eu acho que algumas coisas tens que descobrir sozinha.
- Não me deixa. Eu já tentei tanto, tô cansada.
- Olha, espero que passe. Gosto muito de ti.
- Mas não podes me beijar?
- Não, entende. É melhor assim.
- Eu gosto de ti, também. Gosto de muita coisa em ti. Do jeito que me fazes rir. Ninguém consegue isso. E te acho tão...
- Shhh... Deixa pra lá. Você vai achar alguém melhor.
- Mas...
- Vai sim. É sempre assim. Sempre foi assim.
- E o que eu faço enquanto não é?
- Desculpa.
sexta-feira, novembro 08, 2002
How I Made My Millions
i was stronger
i was better
picked you out
now don't say a word
no don't yell out
never mind
let you out
led you back
stay on
sit down
let it fall
let it fall
let it fall
let it fall
I'd still be on my feet
i was stronger
i was better
picked you out
now don't say a word
no don't yell out
never mind
let you out
led you back
stay on
sit down
let it fall
let it fall
let it fall
let it fall
I'd still be on my feet
terça-feira, novembro 05, 2002
Não sei se prefiro brilhar forte o bastante pra me apagar mais rápido
É, ele se veste bem. E anda com esse idiota. Gostei dos tênis. Hm... vai sentar... sim! Um pouco atrás de mim, great! Realmente se veste bem. Jeitão, bonito. Olhos bonitos. Gostei do cabelo. Olhos lindos. Olhos... me olhando? Ahm... Isso. Abaixo a cabeça, ele nem deve ter percebido. Agora olho se... droga! Acho que ele notou. Haha, olhou pros meus tênis... Esse é dos meus! Pena que eu não tô usando o igual ao dele hoje. Mas o filme vai começar. Pena que eu nunca vejo ele por aqui. Será que faz RP? Pelo jeito, deve fazer Publicidade. Ahm... Muito bonito. Gostei da aula. E isso me lembra que ele também tá nela. E que ela dura um semestre. (...)
Tomara que ele não saia antes do final do filme. Tomara que ele venha aula que vem.
Levantou. Tomara que passe na minha... Ah, perfume bom. Mas pena que ele já tá indo.
Essa droga de porta abrindo de novo! Ele. Oba, vai passar aqui e vou sentir o perf... Hm.
Acaba. Levanto. Ganho um abraço de verdade. Vamos nós três andando abraçadas no frio. Rimos. E elas até concordam.
Daí DDD recebido e o mundo parece bondoso demais. Devem estar tramando algo. Medo.
É, ele se veste bem. E anda com esse idiota. Gostei dos tênis. Hm... vai sentar... sim! Um pouco atrás de mim, great! Realmente se veste bem. Jeitão, bonito. Olhos bonitos. Gostei do cabelo. Olhos lindos. Olhos... me olhando? Ahm... Isso. Abaixo a cabeça, ele nem deve ter percebido. Agora olho se... droga! Acho que ele notou. Haha, olhou pros meus tênis... Esse é dos meus! Pena que eu não tô usando o igual ao dele hoje. Mas o filme vai começar. Pena que eu nunca vejo ele por aqui. Será que faz RP? Pelo jeito, deve fazer Publicidade. Ahm... Muito bonito. Gostei da aula. E isso me lembra que ele também tá nela. E que ela dura um semestre. (...)
Tomara que ele não saia antes do final do filme. Tomara que ele venha aula que vem.
Levantou. Tomara que passe na minha... Ah, perfume bom. Mas pena que ele já tá indo.
Essa droga de porta abrindo de novo! Ele. Oba, vai passar aqui e vou sentir o perf... Hm.
Acaba. Levanto. Ganho um abraço de verdade. Vamos nós três andando abraçadas no frio. Rimos. E elas até concordam.
Daí DDD recebido e o mundo parece bondoso demais. Devem estar tramando algo. Medo.
segunda-feira, novembro 04, 2002
Jag gillar dig... - ainda.
Eu lembro dele. E do suor do corpo dele pingando no meu corpo. E das coisas que ele me dizia. E de como ele fazia comigo o que ninguém mais conseguia fazer. E ele não se esforçava. E me fazia formigar da cabeça aos pés. E fazia tudo em mim adquirir um ritmo novo, ofegante.
E daí eu sussurrava no ouvido dele coisas que eu não me imaginava capaz de dizer. Que provassem que nenhum outro corpo tinha aquele efeito sobre o meu. Nenhuma embriaguez. Nenhum prazer não-sexual. Nada.
Nada me fazia sentir aquilo que eu sentia quando a boca dele estava no lugar certo e a mão dele me tocava como nenhuma outra e ele todo em mim me fazia sentir completa em qualquer sentido.
Daí eu acordo e foi só mais um sonho, e saudades. Saudades do que foi, sim. Mas ele talvez seja muito como eu. Talvez seja muito diferente. Mas eu lembro e ele também e isso, orgulhosamente, ninguém vai poder tirar de mim.
Ouviu? Nin-guém. E tu, o que tu tens? O que te sobrou desse orgulho dissimulado e irônico no qual tu insistes em te envolver? Devias saber, desde sempre.
Eu lembro dele. E do suor do corpo dele pingando no meu corpo. E das coisas que ele me dizia. E de como ele fazia comigo o que ninguém mais conseguia fazer. E ele não se esforçava. E me fazia formigar da cabeça aos pés. E fazia tudo em mim adquirir um ritmo novo, ofegante.
E daí eu sussurrava no ouvido dele coisas que eu não me imaginava capaz de dizer. Que provassem que nenhum outro corpo tinha aquele efeito sobre o meu. Nenhuma embriaguez. Nenhum prazer não-sexual. Nada.
Nada me fazia sentir aquilo que eu sentia quando a boca dele estava no lugar certo e a mão dele me tocava como nenhuma outra e ele todo em mim me fazia sentir completa em qualquer sentido.
Daí eu acordo e foi só mais um sonho, e saudades. Saudades do que foi, sim. Mas ele talvez seja muito como eu. Talvez seja muito diferente. Mas eu lembro e ele também e isso, orgulhosamente, ninguém vai poder tirar de mim.
Ouviu? Nin-guém. E tu, o que tu tens? O que te sobrou desse orgulho dissimulado e irônico no qual tu insistes em te envolver? Devias saber, desde sempre.