Talvez porque nada mais faça sentido.
Nem eu.
Nem tu.
Nem tudo que eu sei, e tu nem imaginas, que eu aprendi contigo.
segunda-feira, janeiro 27, 2003
Beautiful Loser
Meio que -
Só pra -
Na esperança de -
Parece loucura. Mas me disseram que combina comigo, como se eu já não soubesse disso há tanto tempo. Como se não fosse nada. Como se a minha fotosensibilidade pudesse ser comparada à uma coceirinha na pele.
Mas ninguém sabe tanto quanto eu sei. E as formas assustadoras que essa 'loucura, pequena' pode tomar. Talvez por ser longe, no sentido mais simplório da palavra.
Talvez por ainda assim eu me poder imaginar em outro lugar. Por querer fechar os olhos e ver uma realidade bem diferente. Esperar que com os olhos fechados, eu sinta alguém me beijando e que, quando eu os abrisse, fosse. Não cheio de intervalos do jeito que é.
Daí eu ando pela rua, no clima de fim-de-chuva-de-uma-semana e me pergunto se isso tá sendo filmado. Se alguém enxerga que dentro de mim há uma paz inesperada. Uma certeza boba de que tudo vai dar certo. Me pergunto se alguém, além de mim, sabe que eu tô fazendo as coisas do jeito certo, ainda que isso possa soar egoísta e prepotente e que se foda. Não faz diferença, faz? Por que não tem ninguém enxergando e é essa a verdade. Porque às vezes todo pseudo-esforço é pra nada. Porque nem sempre recebe-se o que merece, seja isso algo ruim ou bom. (Eu costumo/costumava acreditar o contrário. Acreditar em providência. Mas não sei onde isso fica agora). E daí eu vejo que é questão de sorte e só isso. E lembro daquela minha amiga que diz que Deus foi muito bom comigo. E fico com vontade de perguntar no que ela acredita agora, porque essa sempre foi minha referência.
E fico. Só permaneço. Só esqueço. Só respiro. Só acordo. Só não desisto.
Meio que -
Só pra -
Na esperança de -
Parece loucura. Mas me disseram que combina comigo, como se eu já não soubesse disso há tanto tempo. Como se não fosse nada. Como se a minha fotosensibilidade pudesse ser comparada à uma coceirinha na pele.
Mas ninguém sabe tanto quanto eu sei. E as formas assustadoras que essa 'loucura, pequena' pode tomar. Talvez por ser longe, no sentido mais simplório da palavra.
Talvez por ainda assim eu me poder imaginar em outro lugar. Por querer fechar os olhos e ver uma realidade bem diferente. Esperar que com os olhos fechados, eu sinta alguém me beijando e que, quando eu os abrisse, fosse. Não cheio de intervalos do jeito que é.
Daí eu ando pela rua, no clima de fim-de-chuva-de-uma-semana e me pergunto se isso tá sendo filmado. Se alguém enxerga que dentro de mim há uma paz inesperada. Uma certeza boba de que tudo vai dar certo. Me pergunto se alguém, além de mim, sabe que eu tô fazendo as coisas do jeito certo, ainda que isso possa soar egoísta e prepotente e que se foda. Não faz diferença, faz? Por que não tem ninguém enxergando e é essa a verdade. Porque às vezes todo pseudo-esforço é pra nada. Porque nem sempre recebe-se o que merece, seja isso algo ruim ou bom. (Eu costumo/costumava acreditar o contrário. Acreditar em providência. Mas não sei onde isso fica agora). E daí eu vejo que é questão de sorte e só isso. E lembro daquela minha amiga que diz que Deus foi muito bom comigo. E fico com vontade de perguntar no que ela acredita agora, porque essa sempre foi minha referência.
E fico. Só permaneço. Só esqueço. Só respiro. Só acordo. Só não desisto.
domingo, janeiro 26, 2003
Então, num dia de muita chuva, a gente chegou lá. E enchemos cada metro quadrado com toda nossa ausência. Enchemos de qualquer coisa vazia cada canto daquela 'casa'. E já havíamos até nos acostumado a sentar no chão frio da sala, ou a ficar na janela querendo os apartamentos ao redor ou olhando as pessoas pequenas lá embaixo.
Lembrei até de como a Clarice Lispector falava que a gente se acostuma. E acredito nela. E talvez até tente, um dia, usar as escadas. E lembre de abrir a janela sempre.
Só pra achar que agora eu talvez tenha algo só meu. Uma vontade a mais. Um.
Lembrei até de como a Clarice Lispector falava que a gente se acostuma. E acredito nela. E talvez até tente, um dia, usar as escadas. E lembre de abrir a janela sempre.
Só pra achar que agora eu talvez tenha algo só meu. Uma vontade a mais. Um.
quinta-feira, janeiro 23, 2003
domingo, janeiro 19, 2003
Ele sussurrou ao ouvido dela que seu maior sonho era beijar uma garota casada. Ela disse que queria arrancar seus olhos. E assim o fizeram. Ele a beijou, mais de uma vez. Ela não arrancou seus olhos, mas mordeu seu pescoço, arrancou alguns fios de cabelo e deixava sempre a marca de suas unhas nas costas dele.
sexta-feira, janeiro 17, 2003
Sempre pronta pra fugir. Essa sou eu. Fácil notar. Eu nunca me entrego, na verdade. Porque cada movimento brusco e mínimo e estranho me faz ter medo. Me faz querer me fechar. E fugir, esquecer. E ficar sozinha, pra não me machucar.
[...]
Não importa, né?
Mas é um desses. Queria não amar tanto. Queria não precisar. Fraca de novo, né? Shame on you. Eu achei que já tivesse sido o bastante. Que tivesse aprendido. Que não gostasse mais de finais felizes e que não tivesse medo e fugisse.
"Just to watch you perform your great escape" - Pra mim, só pra mim.
[...]
Não importa, né?
Mas é um desses. Queria não amar tanto. Queria não precisar. Fraca de novo, né? Shame on you. Eu achei que já tivesse sido o bastante. Que tivesse aprendido. Que não gostasse mais de finais felizes e que não tivesse medo e fugisse.
"Just to watch you perform your great escape" - Pra mim, só pra mim.
segunda-feira, janeiro 06, 2003
Troubles
Hoje eu tentei achar algo nele que me provasse que ele é "igual a todo mundo". Uma desculpa pra me machucar, talvez. Mas não achei, nada. Por ele ser tão diferente de tudo. Por ele ser a única pessoa mais alienada do que eu. Por tudo que ele já me fez sentir. Por tanto tempo que as músicas dele me mantêm acordada. Por um passado já tão distante e que sempre é vivo demais em mim. Por ele ter sido sempre a primeira pessoa em que eu pensei, ainda que longe. Por eu sorrir por lembrar agora tão bem de "I`ll take the rain". E lembrar o quanto significa pra gente. O quanto tudo significa, por a gente ser tão 'facilmente impressionável'. Por a gente ser um "a gente". E por agora eu ter certeza que é isso que me faz bem. Por estar mais calma. Por amar os olhos dele. Por me conformar com o fato de que sempre eu vou ter que ligar. Pelos abraços e os beijos dele que são os melhores do mundo. Por eu ficar mais serena ainda quando tô com ele. Por ele dizer e sentir coisas bonitas, ser uma 'masturbação mental'. Pelos ciúmes que eu sinto. Por ele gostar de coisas em mim não só por elas serem minhas; por ele gostar disso. Por ser difícil pra mim acreditar que alguém me entenda tanto assim. Por, por ele, "abrir mão" parecer natural. Por ele fazer aniversário junto comigo. Por ele dizer só o que realmente pensa. E escrever as coisas mais lindas. Por todas as vezes que eu quis estar com ele. Por eu ter me convencido tão bem a "deixar pra lá", algum tempo atrás. E, mais ainda, por ele ter voltado pra minha vida do jeito que voltou. Por agora parecer mais certo do que nunca. Por ele ser, por si só, um motivo perfeito pra amá-lo, apesar de todas as minhas fugas de me entregar de novo. Por ele ser ele e me fazer rir e eu estar feliz. E até parecer 'cumplicidade' o modo como a gente conversa e como ele me conta as coisas que ele sabe que conseguem me deixar feliz. Por a gente concordar em muita, muita coisa. Por ele sempre me deixar ganhar nas nossas discussões. Por eu perdoar o fato de ele não gostar de Mac Donalds.
Hoje eu tentei achar algo nele que me provasse que ele é "igual a todo mundo". Uma desculpa pra me machucar, talvez. Mas não achei, nada. Por ele ser tão diferente de tudo. Por ele ser a única pessoa mais alienada do que eu. Por tudo que ele já me fez sentir. Por tanto tempo que as músicas dele me mantêm acordada. Por um passado já tão distante e que sempre é vivo demais em mim. Por ele ter sido sempre a primeira pessoa em que eu pensei, ainda que longe. Por eu sorrir por lembrar agora tão bem de "I`ll take the rain". E lembrar o quanto significa pra gente. O quanto tudo significa, por a gente ser tão 'facilmente impressionável'. Por a gente ser um "a gente". E por agora eu ter certeza que é isso que me faz bem. Por estar mais calma. Por amar os olhos dele. Por me conformar com o fato de que sempre eu vou ter que ligar. Pelos abraços e os beijos dele que são os melhores do mundo. Por eu ficar mais serena ainda quando tô com ele. Por ele dizer e sentir coisas bonitas, ser uma 'masturbação mental'. Pelos ciúmes que eu sinto. Por ele gostar de coisas em mim não só por elas serem minhas; por ele gostar disso. Por ser difícil pra mim acreditar que alguém me entenda tanto assim. Por, por ele, "abrir mão" parecer natural. Por ele fazer aniversário junto comigo. Por ele dizer só o que realmente pensa. E escrever as coisas mais lindas. Por todas as vezes que eu quis estar com ele. Por eu ter me convencido tão bem a "deixar pra lá", algum tempo atrás. E, mais ainda, por ele ter voltado pra minha vida do jeito que voltou. Por agora parecer mais certo do que nunca. Por ele ser, por si só, um motivo perfeito pra amá-lo, apesar de todas as minhas fugas de me entregar de novo. Por ele ser ele e me fazer rir e eu estar feliz. E até parecer 'cumplicidade' o modo como a gente conversa e como ele me conta as coisas que ele sabe que conseguem me deixar feliz. Por a gente concordar em muita, muita coisa. Por ele sempre me deixar ganhar nas nossas discussões. Por eu perdoar o fato de ele não gostar de Mac Donalds.
quinta-feira, dezembro 26, 2002
segunda-feira, dezembro 16, 2002
domingo, dezembro 15, 2002
- Me diz onde dói.
- Eu não sei.
- Aqui?
- Não.
- Aqui?
- É, um pouco, não sei. Pára de encostar em mim.
- Eu só tô querendo ajudar.
- Apertando onde dói tu vais ajudar?
- Vou saber onde, e...
- Vais fazer parar?
- Talvez.
- Não quero correr esse risco.
- Mas é assim que funciona. Eu descubro onde dói e vejo se tem como fazer parar.
- Daí é tarde demais. Daí tu já me machucasses.
- Ai, como tu és...
- Prevenida?
- Não!
- Sou sim.
- Se você fosse prevenida não estaria machucada.
- Algumas coisas são inevitáveis.
- Eu sou uma delas?
- Não. Eu te odeio.
- Por quê?
- Por ter me machucado.
- Então eu sou inevitável?
- Não (mais). Não quero falar sobre isso. Só vai embora.
- Por que pedisse pra eu vir, então?
- Porque eu sou tola. Vai embora.
- Vai continuar doendo?
- Se tu não ficares cutucando, logo passa.
- Certeza?
- É. Vai embora. Eu te chamei pra me ajudar e tu acabasse me machucando.
- Eu não tive a intenção.
- É, claro que não teve. Mas também não te importas.
- Pára de ser assim, você é louca.
- Problema meu.
- Tá. Eu vou indo então.
- Não te importas, né?
- Tá vendo como você é?
- Te importas ou não?
- Me importo. Mas sabes que não posso fazer nada além disso.
- Fizesse algo além disso...
- Eu não sei o que te dizer. Preciso ir.
- Como sempre.
- Não seja assim.
- Tchau, tchau... Eu fico melhor sozinha.
- Quer que eu chame alguém pra te ajudar?
- Não. Sai daqui.
- Te cuida.
- Jogador...
- Eu não sei.
- Aqui?
- Não.
- Aqui?
- É, um pouco, não sei. Pára de encostar em mim.
- Eu só tô querendo ajudar.
- Apertando onde dói tu vais ajudar?
- Vou saber onde, e...
- Vais fazer parar?
- Talvez.
- Não quero correr esse risco.
- Mas é assim que funciona. Eu descubro onde dói e vejo se tem como fazer parar.
- Daí é tarde demais. Daí tu já me machucasses.
- Ai, como tu és...
- Prevenida?
- Não!
- Sou sim.
- Se você fosse prevenida não estaria machucada.
- Algumas coisas são inevitáveis.
- Eu sou uma delas?
- Não. Eu te odeio.
- Por quê?
- Por ter me machucado.
- Então eu sou inevitável?
- Não (mais). Não quero falar sobre isso. Só vai embora.
- Por que pedisse pra eu vir, então?
- Porque eu sou tola. Vai embora.
- Vai continuar doendo?
- Se tu não ficares cutucando, logo passa.
- Certeza?
- É. Vai embora. Eu te chamei pra me ajudar e tu acabasse me machucando.
- Eu não tive a intenção.
- É, claro que não teve. Mas também não te importas.
- Pára de ser assim, você é louca.
- Problema meu.
- Tá. Eu vou indo então.
- Não te importas, né?
- Tá vendo como você é?
- Te importas ou não?
- Me importo. Mas sabes que não posso fazer nada além disso.
- Fizesse algo além disso...
- Eu não sei o que te dizer. Preciso ir.
- Como sempre.
- Não seja assim.
- Tchau, tchau... Eu fico melhor sozinha.
- Quer que eu chame alguém pra te ajudar?
- Não. Sai daqui.
- Te cuida.
- Jogador...
quinta-feira, dezembro 12, 2002
"Ele me pediu pra devolver todos os presentes. Todas as caixas, todos os cartões, todos os beijos e as promessas de que ele nunca iria me deixar.
Eu devolvi sem mágoa, junto com os restos de bom senso que eu insistia em preservar. Depois, deixei as saudades junto com o lixo do apartamento dele que eu levei pra fora. Deixei tudo lá, prometendo que nada daquilo jamais me perseguiria.
Prometi, pra mim mesma, que acharia alguém melhor e fingiria me apaixonar. Emagreceria, compraria um vestido azul, faria novos amigos e teria um compromisso agendado pra cada fim-de-semana pelo resto do ano. Prometi sem saber. Prometi perdida no espanto que foi pra mim o fato de ele me deixar. Prometi por medo de não ter mais nada, nem por fora e nem por dentro. [...]"
Dessas histórias incompletas que eu insisto em contar pra não esquecer do que me fez perder.
Eu devolvi sem mágoa, junto com os restos de bom senso que eu insistia em preservar. Depois, deixei as saudades junto com o lixo do apartamento dele que eu levei pra fora. Deixei tudo lá, prometendo que nada daquilo jamais me perseguiria.
Prometi, pra mim mesma, que acharia alguém melhor e fingiria me apaixonar. Emagreceria, compraria um vestido azul, faria novos amigos e teria um compromisso agendado pra cada fim-de-semana pelo resto do ano. Prometi sem saber. Prometi perdida no espanto que foi pra mim o fato de ele me deixar. Prometi por medo de não ter mais nada, nem por fora e nem por dentro. [...]"
Dessas histórias incompletas que eu insisto em contar pra não esquecer do que me fez perder.
quarta-feira, dezembro 11, 2002
Aqui do mundo real:
Eu imagino se você sabe que eu tô triste e chorando e que é por tua causa, e ao mesmo tempo não. É, porque algumas coisas só tu entenderias e é difícil de sentir quando eu não te tenho ao meu lado pra concordar e entender. E entender o porquê de eu não ir pra aula. Entender o porquê de eu dormir tanto. Entender o porquê do meu silêncio.
Só tu que não me acharias uma tola por chorar vendo as luzes daqui, algumas delas.
Só tu que ouvirias opiate slopes comigo, à noite, abraçados, sem dizer que o que eu ouço anda depressivo demais. E daí seria daquelas coisas lindas e calmas e perfeitas. E eu teria o que ninguém mais tem. E quando eu enlouquecesse e rasgasse o que eu tenho pra estudar, tu dirias pra eu esquecer. Sentarias ao meu lado e me abraçarias. E depois, como se eu fosse uma criança mimada e boba, me mostrarias que eu preciso estudar sim, e que não é tão difícil, after all. E eu teria que ver, de uma vez por todas, que não é o fim do mundo. Que o que importaria seria que estaríamos juntos, o que quer que acontecesse. Talvez você até me beijasse demorado enquanto eu tivesse com o rosto todo coberto de lágrimas, e comprasse nossas passagens e nós voltaríamos pra casa. E me desculparia por qualquer erro de português. E ririas dos meus ciúmes e dos meus protestos diários de "o mundo é injusto". E nos finais de semana decidiríamos juntos o que fazer. Convidaríamos 'nossa' melhor amiga. Ouviríamos Teenage Fanclub, pra dar aquele ar de "tá tudo bem". E eu te contaria coisas sobre os lugares da cidade onde a gente estivesse passando. E tu esquecerias tudo depois de uma semana, como sempre. Ou não prestarias atenção, mas isso não me incomodaria.
Sentaríamos, eu com as pernas entrelaçadas e apoiada no teu ombro e tu me afastando porque terias algo pra fazer. Mas no final eu sempre ganho. Até que se prove o contrário e eu tire o sorriso bobo do rosto. Talvez a gente cozinhasse juntos, ou chegasse à conclusão de que nenhum de nós cozinha tão bem assim. Daí teríamos a 'nossa' pizza e os nossos olhos e as nossas histórias. E seríamos felizes pelo simples fato de que isso ninguém poderia nos roubar. Não mais.
E eu acordaria, feliz por um sonho bom em meio a tantos pesadelos.
Eu imagino se você sabe que eu tô triste e chorando e que é por tua causa, e ao mesmo tempo não. É, porque algumas coisas só tu entenderias e é difícil de sentir quando eu não te tenho ao meu lado pra concordar e entender. E entender o porquê de eu não ir pra aula. Entender o porquê de eu dormir tanto. Entender o porquê do meu silêncio.
Só tu que não me acharias uma tola por chorar vendo as luzes daqui, algumas delas.
Só tu que ouvirias opiate slopes comigo, à noite, abraçados, sem dizer que o que eu ouço anda depressivo demais. E daí seria daquelas coisas lindas e calmas e perfeitas. E eu teria o que ninguém mais tem. E quando eu enlouquecesse e rasgasse o que eu tenho pra estudar, tu dirias pra eu esquecer. Sentarias ao meu lado e me abraçarias. E depois, como se eu fosse uma criança mimada e boba, me mostrarias que eu preciso estudar sim, e que não é tão difícil, after all. E eu teria que ver, de uma vez por todas, que não é o fim do mundo. Que o que importaria seria que estaríamos juntos, o que quer que acontecesse. Talvez você até me beijasse demorado enquanto eu tivesse com o rosto todo coberto de lágrimas, e comprasse nossas passagens e nós voltaríamos pra casa. E me desculparia por qualquer erro de português. E ririas dos meus ciúmes e dos meus protestos diários de "o mundo é injusto". E nos finais de semana decidiríamos juntos o que fazer. Convidaríamos 'nossa' melhor amiga. Ouviríamos Teenage Fanclub, pra dar aquele ar de "tá tudo bem". E eu te contaria coisas sobre os lugares da cidade onde a gente estivesse passando. E tu esquecerias tudo depois de uma semana, como sempre. Ou não prestarias atenção, mas isso não me incomodaria.
Sentaríamos, eu com as pernas entrelaçadas e apoiada no teu ombro e tu me afastando porque terias algo pra fazer. Mas no final eu sempre ganho. Até que se prove o contrário e eu tire o sorriso bobo do rosto. Talvez a gente cozinhasse juntos, ou chegasse à conclusão de que nenhum de nós cozinha tão bem assim. Daí teríamos a 'nossa' pizza e os nossos olhos e as nossas histórias. E seríamos felizes pelo simples fato de que isso ninguém poderia nos roubar. Não mais.
E eu acordaria, feliz por um sonho bom em meio a tantos pesadelos.
segunda-feira, dezembro 09, 2002
Estava triste. Ele sabia. Sempre sabia quando ela/eu estava triste. E sabia o porquê e sabia o quanto e sabia como; lia suas verdades tatuadas no azul dos olhos dela. Agora já vermelhos de lágrimas.
Sabia que por trás daquele sorriso e daquele esforço pra tudo ficar bem, ela chorava. Sabia que ela fingia bem até demais. Que sofria por não conseguir se livrar do que ela considerava uma obrigatoriedade de fazer o bem pra todo mundo, menos pra si mesma. O que não sabia era que pra ela era mais fácil fazer aos outros, porque nunca conseguia decidir o que queria ao certo.Porque nunca soube. E quando sabia, era tão fácil achar uma desculpa... Era tão mais fácil não ver do que admitir que estava tudo bem. Tão mais fácil reclamar que seus relacionamentos não duravam. Tão mais fácil ficar sozinha e não ter que dever nada a ninguém.
E no final, tão mais fácil achar que tudo acaba por qualquer errinho bobo...
Pra não ter que pensar a respeito. Nem pedir desculpas. Nem reconhecer.
Pra não ter que achar um jeito de contornar os problemas, e não ter que conversar.
Ela odiava conversar. Preferia trancar-se num quarto e chorar e assumir toda culpa. Não gostava de conflitos e/ou simplesmente não se dava ao trabalho de discutir. Fechava os olhos e queria que tudo sumisse. Queria que se resolvesse assim. Que o tempo voltasse, talvez.
Mas nada sumia e nada voltava. Então ela reconhecia seu erro, estragava tudo um pouco mais e ía embora. Por ser covarde. Por ser cansada. Cansada daquele pseudo-altruísmo na qual a enquadravam. Ela não se dava ao trabalho, na verdade. Era comodista. Só isso.
Então ela tentava se definir. Tentava se encaixar, se explicar. Tentava se convencer de que estava tudo bem. Tentava não precisar de remédios, pra não parecer uma fraca idiota hipocondríaca. Pra não ser rotulada por todos aqueles babacas que se achavam no direito.
Ela tentava. Como também tentava muita coisa mais, quando, às-vezes-com-certeza-a-maioria-do-tempo, preferia sumir. Calma como sempre. Suave como nunca. Sumir.
Sabia que por trás daquele sorriso e daquele esforço pra tudo ficar bem, ela chorava. Sabia que ela fingia bem até demais. Que sofria por não conseguir se livrar do que ela considerava uma obrigatoriedade de fazer o bem pra todo mundo, menos pra si mesma. O que não sabia era que pra ela era mais fácil fazer aos outros, porque nunca conseguia decidir o que queria ao certo.Porque nunca soube. E quando sabia, era tão fácil achar uma desculpa... Era tão mais fácil não ver do que admitir que estava tudo bem. Tão mais fácil reclamar que seus relacionamentos não duravam. Tão mais fácil ficar sozinha e não ter que dever nada a ninguém.
E no final, tão mais fácil achar que tudo acaba por qualquer errinho bobo...
Pra não ter que pensar a respeito. Nem pedir desculpas. Nem reconhecer.
Pra não ter que achar um jeito de contornar os problemas, e não ter que conversar.
Ela odiava conversar. Preferia trancar-se num quarto e chorar e assumir toda culpa. Não gostava de conflitos e/ou simplesmente não se dava ao trabalho de discutir. Fechava os olhos e queria que tudo sumisse. Queria que se resolvesse assim. Que o tempo voltasse, talvez.
Mas nada sumia e nada voltava. Então ela reconhecia seu erro, estragava tudo um pouco mais e ía embora. Por ser covarde. Por ser cansada. Cansada daquele pseudo-altruísmo na qual a enquadravam. Ela não se dava ao trabalho, na verdade. Era comodista. Só isso.
Então ela tentava se definir. Tentava se encaixar, se explicar. Tentava se convencer de que estava tudo bem. Tentava não precisar de remédios, pra não parecer uma fraca idiota hipocondríaca. Pra não ser rotulada por todos aqueles babacas que se achavam no direito.
Ela tentava. Como também tentava muita coisa mais, quando, às-vezes-com-certeza-a-maioria-do-tempo, preferia sumir. Calma como sempre. Suave como nunca. Sumir.
quinta-feira, dezembro 05, 2002
Ele podia ver por trás dos olhos dela o que ela queria, toda vez que ela fingia dizer algo. E ela acreditava que podia alimentar-se pra sempre do calor que sentia toda vez que seus olhares se cruzavam.
Achavam eles tão diferentes. Tão iguais. Achavam, esqueciam.
Esqueciam e davam importância a outras coisas.
Ela encontrava ali o seu alívio. E não conseguia jamais deixar de temer o mesmo fim que por tantas vezes ocorreu. Mas era assim que seria. Qualquer um saberia. E ela deveria ver isso no modo como ele beijava sua mão. No modo como ele ao mesmo tempo não se importava. No modo como ele sorria. No modo como era mais engraçado do que real.
E ele deveria... Ele deveria. Porque ela não achava nele nenhum defeito. Porque era perto dele que ela queria estar.
Achavam eles tão diferentes. Tão iguais. Achavam, esqueciam.
Esqueciam e davam importância a outras coisas.
Ela encontrava ali o seu alívio. E não conseguia jamais deixar de temer o mesmo fim que por tantas vezes ocorreu. Mas era assim que seria. Qualquer um saberia. E ela deveria ver isso no modo como ele beijava sua mão. No modo como ele ao mesmo tempo não se importava. No modo como ele sorria. No modo como era mais engraçado do que real.
E ele deveria... Ele deveria. Porque ela não achava nele nenhum defeito. Porque era perto dele que ela queria estar.
terça-feira, dezembro 03, 2002
quarta-feira, novembro 27, 2002
Over.reaction;
Acho que é normal gostar de olhar de dentro pra fora o nome escrito ao contrário num vidro. Ter fotos com amigos. Ter dedicatória. Normal surtar de vez em quando. Normal que ninguém entenda, às vezes. Normal que Ele sempre ache o errado. (Ele até aqui? Desde sempre.)
Normal ter raiva: raiva de todos me culparem por eu ser efêmera demais sem notar que eu só me "adapto". Não, não vou deixar o realismo desculpar meus erros. Que foram sim, mas não tantos.
E que talvez sejam por eu simplesmente ser uma covarde. Por eu fugir sempre que me machuco. Por fugir mudando. Por enxergar isso agora, em tão pouco.
Por eu saber que eu sei esquecer como eu quero. Por, quando não passar, ser pura teimosia. E tá sendo sim, mas só até eu achar alguém que eu ache que me faz mais bem. Só até existirem olhos que me agradem mais. Era isso que Tu querias ouvir, eu sei. Então tá, tu passas. Eu te esqueço um dia, impulsionada pelos teus atos. Irritada, sim, mas não contigo. Irritada por ser tão pouco e eu me importar. Irritada por eu ter perdido o pouco-quase-nada que eu te tinha por causa dos meus erros idiotas, meus atos e fugas mal pensados. Não é mais 39,5%, né? Não, não é.
Então vamos ser amigos. Vamos fingir. Não que eu não queira. Não que eu não goste da tua presença mesmo com tão pouco. Mas tu és mais paixão-de-escola. E disso eu não gostei: de tu querer me julgar sem saber. E achar fácil. Claro, tudo é fácil. Claro, só tu que...
Ah, e vou me arrepender disso. E eu sei que é isso que afasta. Que é esse meu jeito assustador-agressivo-exagerado de reagir. Mas calma, na vida real não é tanto assim. Aqui eu somo. Sério. Aqui eu digo algo que diminua minha insônia. Que amenize meu bruxismo. Que soe desabafo. Canso de mim mesma mais que o normal. Digo mais que o normal. Digo que gosto de ti, que merda. Não 'daquele jeito'. Não como amante. Não como namorada. Não como uma psycho apaixonada. Não como amor-da-minha-vida. Gosto de ti bem mais fácil. Gosto dos teus olhos e de segurar na tua mão (e do teu beijo, mas isso eu sei que não posso, então um dia eu conserto.) e do teu cabelo macio e da tua altura e de mais coisas que eu não posso dizer aqui. (E que não são as que tu estás pensando, eu garanto.)
Gosto leve e lento e doce. Gosto bem daquele jeito como foi entendido na primeira vez que tu pegasse na minha mão, lembra? Gosto assim. De surpreender mas não assustar. De querer mas não precisar.
De quando eu sentia mas tinha (bem mais) medo de dizer.
Deixa estar.
Acho que é normal gostar de olhar de dentro pra fora o nome escrito ao contrário num vidro. Ter fotos com amigos. Ter dedicatória. Normal surtar de vez em quando. Normal que ninguém entenda, às vezes. Normal que Ele sempre ache o errado. (Ele até aqui? Desde sempre.)
Normal ter raiva: raiva de todos me culparem por eu ser efêmera demais sem notar que eu só me "adapto". Não, não vou deixar o realismo desculpar meus erros. Que foram sim, mas não tantos.
E que talvez sejam por eu simplesmente ser uma covarde. Por eu fugir sempre que me machuco. Por fugir mudando. Por enxergar isso agora, em tão pouco.
Por eu saber que eu sei esquecer como eu quero. Por, quando não passar, ser pura teimosia. E tá sendo sim, mas só até eu achar alguém que eu ache que me faz mais bem. Só até existirem olhos que me agradem mais. Era isso que Tu querias ouvir, eu sei. Então tá, tu passas. Eu te esqueço um dia, impulsionada pelos teus atos. Irritada, sim, mas não contigo. Irritada por ser tão pouco e eu me importar. Irritada por eu ter perdido o pouco-quase-nada que eu te tinha por causa dos meus erros idiotas, meus atos e fugas mal pensados. Não é mais 39,5%, né? Não, não é.
Então vamos ser amigos. Vamos fingir. Não que eu não queira. Não que eu não goste da tua presença mesmo com tão pouco. Mas tu és mais paixão-de-escola. E disso eu não gostei: de tu querer me julgar sem saber. E achar fácil. Claro, tudo é fácil. Claro, só tu que...
Ah, e vou me arrepender disso. E eu sei que é isso que afasta. Que é esse meu jeito assustador-agressivo-exagerado de reagir. Mas calma, na vida real não é tanto assim. Aqui eu somo. Sério. Aqui eu digo algo que diminua minha insônia. Que amenize meu bruxismo. Que soe desabafo. Canso de mim mesma mais que o normal. Digo mais que o normal. Digo que gosto de ti, que merda. Não 'daquele jeito'. Não como amante. Não como namorada. Não como uma psycho apaixonada. Não como amor-da-minha-vida. Gosto de ti bem mais fácil. Gosto dos teus olhos e de segurar na tua mão (e do teu beijo, mas isso eu sei que não posso, então um dia eu conserto.) e do teu cabelo macio e da tua altura e de mais coisas que eu não posso dizer aqui. (E que não são as que tu estás pensando, eu garanto.)
Gosto leve e lento e doce. Gosto bem daquele jeito como foi entendido na primeira vez que tu pegasse na minha mão, lembra? Gosto assim. De surpreender mas não assustar. De querer mas não precisar.
De quando eu sentia mas tinha (bem mais) medo de dizer.
Deixa estar.
quarta-feira, novembro 20, 2002
2 rights make 1 wrong
...E o contrário?
Agora nada. Agora só meu corpo querendo estar junto do Dele de novo. Agora só a saudade. Agora só tudo que eu quero ser pra Ele e não sou. Agora só as fotos. Agora só os papéis riscados. Agora só a lembrança do cheiro Dele. Agora só a verdade. A minha. Agora só a minha vida só com meus problemas, sós. Agora eu tento ser eu, eu que agrado. Eu que estranhamente eu fui, toda e totalmente, aquela vez. Aquela vez.
Agora devagar. Vai, eu consigo. Agora calma pra não estragar tudo. Agora, quatro minutos e cinqüenta e três segundos depois.
Ainda.Ele.
...E o contrário?
Agora nada. Agora só meu corpo querendo estar junto do Dele de novo. Agora só a saudade. Agora só tudo que eu quero ser pra Ele e não sou. Agora só as fotos. Agora só os papéis riscados. Agora só a lembrança do cheiro Dele. Agora só a verdade. A minha. Agora só a minha vida só com meus problemas, sós. Agora eu tento ser eu, eu que agrado. Eu que estranhamente eu fui, toda e totalmente, aquela vez. Aquela vez.
Agora devagar. Vai, eu consigo. Agora calma pra não estragar tudo. Agora, quatro minutos e cinqüenta e três segundos depois.
Ainda.Ele.