Falou que eu tinha "olhos de menina". "Caralho, mas é óbvio!".
Ah, não é não.
Ele disse (pra mim) que nada nunca importaria tanto quanto aquilo. Pediu um beijo. Eu dei. E fiquei acariciando ele o resto da noite, pra ver se passava o efeito do álcool. Daí ele perguntou por que a gente era "só isso". E eu ri. Falei que a gente nunca daria certo, éramos, juntos, algo legal demais pra ser verdade. Ele riu.
Depois fomos pra uma das cabanas, tava chovendo. E o nosso amigo-hiperativo-legalzinho apareceu, como sempre, pedindo pra usar o banheiro. E, claro que sim, já estava tarde.
E com ele nada parecia tanto assim. E tinha um beijo bom e uma beleza estranha demais. Se ofereceu pra me levar pra casa, eu disse que não. Reclamou que não tinha o meu telefone e eu desconversei. E pensei nele, muitas vezes depois, quando eu queria ter alguma dúvida.
E agora é estranho demais. Porque, como sempre, ele bebeu demais, e agora foi pior.
Porque ele era ele e isso fode com muitos detalhes da minha [pequena] existência. Mesmo porque, ele era um desses detalhes.
E ele tinha um beijo bom.
E é difícil pra mim aceitar que, nunca mais, alguém vai ter esse beijo.
É difícil pra mim aceitar.
É difícil.