terça-feira, junho 22, 2010

(abrir o peito e deixar o golpe entrar)

Hoje me dei conta de que em algum momento tudo caiu. Enquanto caminhava certa mas sem pressa, na garoa nojenta que só cai nessa cidade, eu me dei conta.
Ali, junto com a garoa, caiu qualquer resistência. Qualquer certeza ou incerteza, pânico, fobia ou qualquer outra coisa que acumulei ou construí pra cuidar de mim.
Na garoa, frio, 10 graus célsius nessa maldita cidade, ali perto de onde eu amanheci do teu lado pela primeira vez, eu me senti livre.
Quinhentos e quarenta e sete quilos a menos no ombro, um tanto de saudade e alguns dias faltando pra eu poder sorrir.
Foi hoje que caiu tudo. Que eu decidi deixar o golpe entrar e te gravar um disco de músicas bregas que contam um tanto sobre mim.

terça-feira, junho 15, 2010

Sobre o tempo ou the lost art of keeping anything

Eu te espero como espero alguém que foi até a padaria e já volta. Espero te encontrar e estar com o cabelo bom. E sem me importar com o casaco manchado. Eu espero que você goste das mangas puxadas sobre as mãos, espero que não esqueça de me abraçar quando estiver frio, nunca.

Torço pra quando você chegar eu não pensar no que já passou. E nem você. Imagino uma distância que não precisa ser segura. Imagino que você possa viajar por meses e eu sinta somente saudade.

Quando você chegar, eu vou pesar 3 kg a menos ou deixarei de achar que todo mundo se importa com isso. Vou me sentir em casa mesmo quando estiver de tpm. Vou ter certeza de que é isso, mudar de cidade tranquilamente, pensar que um emprego é só um emprego.

No dia em que você chegar eu não vou mais estragar tudo. Nem por medo, nem por irresponsabilidade, nem por preguiça, nem por insegurança, nem por intolerância, nem por não saber como agir.

Se um dia você chegar vai só ficar tudo bem. Eu te espero como espero alguém que foi até a padaria, mas você nunca esteve aqui.

segunda-feira, junho 07, 2010

Sobre a saudade

Por dois minutos, e não mais que isso, voltar pra uma noite chuvosa de sábado. As garrafas geladas, os lábios idem, as mãos na cintura. Uns sorrisos perdidos, o caminhar sem jeito.
Por dois, três, cinquenta e quatro minutos, não mais que isso, fechar os olhos e só conseguir pensar em um sorriso que veio entre uma conversa sobre o Marrocos, algum gole a mais, a menos, lábios idem.
Voltar ao início. Passear tímida pela noite quente, as músicas no ouvido, pés frios, o pôster da Björk na parede. Por dois minutos, três semanas, quinhentos e quarenta e sete meses, só isso, uma vida inteira, uma eternidade, é só, fechar os olhos e lembrar sorrindo. Tamanha a saudade.

segunda-feira, abril 19, 2010

1. Medo de chegar em algum lugar e você estar lá;
2. Medo de você pedir meu número de telefone pra nunca usá-lo;
3. Medo de doenças incuráveis;
4. Medo de engordar 10 kg;
5. Medo de pessoas;
6. Medo de me apaixonar perdidamente por alguém que nem lembre o meu nome;
7. Medo de me apaixonar perdidamente por alguém que saiba exatamente quem eu sou;
8. Medo de nunca mais acordar do seu lado;
9. Medo de ter trocado seu nome quando estava bêbada;
10. Medo de não ser o bastante.

sábado, abril 17, 2010

sexta-feira, abril 09, 2010

"Passou devagar os dedos sobre os pêlos crespos do peito dele. Se houvesse mais luz, agora poderia ver os pêlos se adensando grisalhos em direção ao umbigo, e quem sabe até mesmo sentir então o que sentia sempre: aquela espécie de piedade comovida, semelhante a algo que tinham dito, certa vez, chamar-se carinho, ternura, amor ou qualquer outra coisa dessas. Mas no escuro, apenas sentindo os pêlos macios e frágeis cedendo sob a pressão das pontas de seus dedos, assim, agora: não sentia nada. Uma secura como a do cigarro que tragou novamente, queimando com raiva a garganta. Tossiu."
The bottom line


Sigo me perdendo entre sinais e esperanças e entre as bebidas que você me traz intactas, religiosas e convincentes. E no medo que eu tenho de ser somente meu gosto pelo incerto.

quinta-feira, abril 01, 2010

1. Obviedade

Acordei um dia e percebi que, coincidentemente, os momentos em que eu mais gostava de você eram aqueles nos quais eu menos gostava de mim.

Na verdade, acordei em vários dias. Percebi muitas vezes. Mas acho que esqueci quando te encontrei e você sorriu.

domingo, março 28, 2010

I am the only one searching for you.

Eu queria escrever todas aquelas coisas bonitas, mas só consigo pensar nas suas piadas sem graça.

domingo, fevereiro 28, 2010

Ficção n. 12 ou só uma dorzinha por hoje

Não sei se é a menor cidade do mundo, a luz da tua casa acesa não muito longe daqui. O lugar onde você vai quando eu não te vejo. Não sei se é a beleza e a breguice do teu sorriso ou se é o fato de ele ser sempre igual.
É provável que eu passasse a noite em claro te esperando sentada na portaria do teu prédio. Que eu caminhasse muito e parecesse pouco se fosse pra te ter quente tentando me fazer dormir enquanto eu choro.
Talvez fosse a melhor resposta. Aquela opção tão óbvia que todo o resto pareceria tempo perdido.

Alguma coisa aconteceu, mas foi só pra mim. Alguma coisa aconteceu, mas a gente nunca vai saber.
Quando a gente se encontrou 2 anos depois, eu sorri um sorriso meio amarelo e dei um beijo no rosto dele porque queria que ele se sentisse bem.

Eu ainda acreditava que a única forma de isso acontecer era esconder a minha felicidade.
Não que eu estivesse feliz. Mas aquela esperança esmagadora que agora estava em todas as minhas frases e em cada fio de cabelo meu talvez fosse mal interpretada, você sabe.

Queria abraça-lo. Queria agradecer em silêncio pelo fim da mágoa. Pelos dias em que ele me beijou antes de sair enquanto eu fingia que ainda dormia. Por ter cuidado de mim. Por ter segurado minha mão no frio, na chuva, nos eventos sociais desconcertantes.

A gente nunca tem essa oportunidade no fim das contas. Nessas horas a gente só enxerga o tédio, a fuga, todas as opções melhores. Só encontra os motivos pra brigar, como se todo aquele tempo tivesse sido - só e sempre - disso.

Queria um abraço de cinco minutos em que se diz tudo.

Mas eu só sorri um sorriso amarelo.

domingo, fevereiro 21, 2010

Psicotrópico

Queria que não fosse amor.
Queria que não fosse algo que eu já senti tanto, de tantas formas.
Eu queria que o que eu sinto por você fosse algo novo.
Como o silêncio, o vento no rosto numa noite de verão.

Eu queria que com você fosse o primeiro mergulho. O primeiro abraço que me envolve do jeito certo.

Queria você na luz, eu ao lado, e a tua voz todos os dias: vamos lá?

sábado, julho 25, 2009

Eu daria todo o tempo que se passou só pra ter cinco minutos, no escuro, em silêncio e anônima, observando a pessoa mais bonita que eu conheci em meio a tanta, tanta gente pequena.

Mas você deve estar ocupado agora.

quinta-feira, junho 12, 2008

Nesse lance de eu e você
Sou exatamente o que não quero ser.

quarta-feira, setembro 20, 2006

01. this is hardcore

Eu não quero ninguém que seja bom o bastante pra mim.
Eu quero você.

terça-feira, dezembro 27, 2005

hoje eu conversei com uma tia avó.

chorei.

mas o mais importante de tudo é que quando ela falava "paixão" ela se referia a algo ruim. do tipo: "fulana tinha uma paixão com fulano."

pois é. sensatez.

quarta-feira, setembro 21, 2005

vai passar, vai passar.

eu só preciso de novo da tua mão tremendo e do teu sorriso. algo que garanta que é pra sempre, pra eu poder te deixar mais uma vez.

domingo, setembro 04, 2005

SAI!

Ele entrou pelos meus poros, eu acho, mas não tenho certeza. Só sei que procurou por todos os cantos e eu sentia quando ele passava, principalmente pelo lado esquerdo, percorrendo meus braços, meus pulmões e meus dedos dos pés em busca do que tinha perdido.
Não foi culpa minha, eu juro.
Até que ele encontrou. Mas só conseguiu chegar lá com a boca, então mordeu-o com toda força, enquanto usava braços e mãos pra tentar arrastá-lo pra fora. Em vão. Largou e sentiu o sangue (se é que podia se chamar assim) escorrendo entre os dentes. Engoliu.
Senti o lado esquerdo.
Senti que ele desistia, abrigado em algum lugar perto da última vértebra.
Coloquei o dedo entre a última e penúltima vértebra. Ele sorriu. Mordeu novamente. Usou todas as suas forças, e os dentes, e as mãos, e os pés apoiados nos meus músculos.

segunda-feira, junho 27, 2005

Sabe, eu ainda quero ser uma escritora falida, mas eu acho que eu só quero ser isso quando estou contigo. Você é meu... você sabe. Aquele cara das horas, mas sem aids.
Isso não quer dizer que a gente nunca transaria, porque você não teria aquele aspecto e você até que é.. bom, você entende.
Assim como você entende o fato de eu ter ficado com alguém que depois bateu no teu carro e não pagou. E entende o fato de eu rir muito toda vez que lembro disso.
Bom, não foi muito uma questão de opção porque você apenas não estava lá. E isso eu falo por falar. Só porque não dá pra voltar mas você sabe que eu te amo mesmo assim.