(abrir o peito e deixar o golpe entrar)
Hoje me dei conta de que em algum momento tudo caiu. Enquanto caminhava certa mas sem pressa, na garoa nojenta que só cai nessa cidade, eu me dei conta.
Ali, junto com a garoa, caiu qualquer resistência. Qualquer certeza ou incerteza, pânico, fobia ou qualquer outra coisa que acumulei ou construí pra cuidar de mim.
Na garoa, frio, 10 graus célsius nessa maldita cidade, ali perto de onde eu amanheci do teu lado pela primeira vez, eu me senti livre.
Quinhentos e quarenta e sete quilos a menos no ombro, um tanto de saudade e alguns dias faltando pra eu poder sorrir.
Foi hoje que caiu tudo. Que eu decidi deixar o golpe entrar e te gravar um disco de músicas bregas que contam um tanto sobre mim.
terça-feira, junho 22, 2010
terça-feira, junho 15, 2010
Sobre o tempo ou the lost art of keeping anything
Eu te espero como espero alguém que foi até a padaria e já volta. Espero te encontrar e estar com o cabelo bom. E sem me importar com o casaco manchado. Eu espero que você goste das mangas puxadas sobre as mãos, espero que não esqueça de me abraçar quando estiver frio, nunca.
Torço pra quando você chegar eu não pensar no que já passou. E nem você. Imagino uma distância que não precisa ser segura. Imagino que você possa viajar por meses e eu sinta somente saudade.
Quando você chegar, eu vou pesar 3 kg a menos ou deixarei de achar que todo mundo se importa com isso. Vou me sentir em casa mesmo quando estiver de tpm. Vou ter certeza de que é isso, mudar de cidade tranquilamente, pensar que um emprego é só um emprego.
No dia em que você chegar eu não vou mais estragar tudo. Nem por medo, nem por irresponsabilidade, nem por preguiça, nem por insegurança, nem por intolerância, nem por não saber como agir.
Se um dia você chegar vai só ficar tudo bem. Eu te espero como espero alguém que foi até a padaria, mas você nunca esteve aqui.
Eu te espero como espero alguém que foi até a padaria e já volta. Espero te encontrar e estar com o cabelo bom. E sem me importar com o casaco manchado. Eu espero que você goste das mangas puxadas sobre as mãos, espero que não esqueça de me abraçar quando estiver frio, nunca.
Torço pra quando você chegar eu não pensar no que já passou. E nem você. Imagino uma distância que não precisa ser segura. Imagino que você possa viajar por meses e eu sinta somente saudade.
Quando você chegar, eu vou pesar 3 kg a menos ou deixarei de achar que todo mundo se importa com isso. Vou me sentir em casa mesmo quando estiver de tpm. Vou ter certeza de que é isso, mudar de cidade tranquilamente, pensar que um emprego é só um emprego.
No dia em que você chegar eu não vou mais estragar tudo. Nem por medo, nem por irresponsabilidade, nem por preguiça, nem por insegurança, nem por intolerância, nem por não saber como agir.
Se um dia você chegar vai só ficar tudo bem. Eu te espero como espero alguém que foi até a padaria, mas você nunca esteve aqui.
segunda-feira, junho 07, 2010
Sobre a saudade
Por dois minutos, e não mais que isso, voltar pra uma noite chuvosa de sábado. As garrafas geladas, os lábios idem, as mãos na cintura. Uns sorrisos perdidos, o caminhar sem jeito.
Por dois, três, cinquenta e quatro minutos, não mais que isso, fechar os olhos e só conseguir pensar em um sorriso que veio entre uma conversa sobre o Marrocos, algum gole a mais, a menos, lábios idem.
Voltar ao início. Passear tímida pela noite quente, as músicas no ouvido, pés frios, o pôster da Björk na parede. Por dois minutos, três semanas, quinhentos e quarenta e sete meses, só isso, uma vida inteira, uma eternidade, é só, fechar os olhos e lembrar sorrindo. Tamanha a saudade.
Por dois minutos, e não mais que isso, voltar pra uma noite chuvosa de sábado. As garrafas geladas, os lábios idem, as mãos na cintura. Uns sorrisos perdidos, o caminhar sem jeito.
Por dois, três, cinquenta e quatro minutos, não mais que isso, fechar os olhos e só conseguir pensar em um sorriso que veio entre uma conversa sobre o Marrocos, algum gole a mais, a menos, lábios idem.
Voltar ao início. Passear tímida pela noite quente, as músicas no ouvido, pés frios, o pôster da Björk na parede. Por dois minutos, três semanas, quinhentos e quarenta e sete meses, só isso, uma vida inteira, uma eternidade, é só, fechar os olhos e lembrar sorrindo. Tamanha a saudade.
segunda-feira, abril 19, 2010
1. Medo de chegar em algum lugar e você estar lá;
2. Medo de você pedir meu número de telefone pra nunca usá-lo;
3. Medo de doenças incuráveis;
4. Medo de engordar 10 kg;
5. Medo de pessoas;
6. Medo de me apaixonar perdidamente por alguém que nem lembre o meu nome;
7. Medo de me apaixonar perdidamente por alguém que saiba exatamente quem eu sou;
8. Medo de nunca mais acordar do seu lado;
9. Medo de ter trocado seu nome quando estava bêbada;
10. Medo de não ser o bastante.
2. Medo de você pedir meu número de telefone pra nunca usá-lo;
3. Medo de doenças incuráveis;
4. Medo de engordar 10 kg;
5. Medo de pessoas;
6. Medo de me apaixonar perdidamente por alguém que nem lembre o meu nome;
7. Medo de me apaixonar perdidamente por alguém que saiba exatamente quem eu sou;
8. Medo de nunca mais acordar do seu lado;
9. Medo de ter trocado seu nome quando estava bêbada;
10. Medo de não ser o bastante.
sexta-feira, abril 09, 2010
"Passou devagar os dedos sobre os pêlos crespos do peito dele. Se houvesse mais luz, agora poderia ver os pêlos se adensando grisalhos em direção ao umbigo, e quem sabe até mesmo sentir então o que sentia sempre: aquela espécie de piedade comovida, semelhante a algo que tinham dito, certa vez, chamar-se carinho, ternura, amor ou qualquer outra coisa dessas. Mas no escuro, apenas sentindo os pêlos macios e frágeis cedendo sob a pressão das pontas de seus dedos, assim, agora: não sentia nada. Uma secura como a do cigarro que tragou novamente, queimando com raiva a garganta. Tossiu."
quinta-feira, abril 01, 2010
domingo, março 28, 2010
domingo, fevereiro 28, 2010
Ficção n. 12 ou só uma dorzinha por hoje
Não sei se é a menor cidade do mundo, a luz da tua casa acesa não muito longe daqui. O lugar onde você vai quando eu não te vejo. Não sei se é a beleza e a breguice do teu sorriso ou se é o fato de ele ser sempre igual.
É provável que eu passasse a noite em claro te esperando sentada na portaria do teu prédio. Que eu caminhasse muito e parecesse pouco se fosse pra te ter quente tentando me fazer dormir enquanto eu choro.
Talvez fosse a melhor resposta. Aquela opção tão óbvia que todo o resto pareceria tempo perdido.
Alguma coisa aconteceu, mas foi só pra mim. Alguma coisa aconteceu, mas a gente nunca vai saber.
Não sei se é a menor cidade do mundo, a luz da tua casa acesa não muito longe daqui. O lugar onde você vai quando eu não te vejo. Não sei se é a beleza e a breguice do teu sorriso ou se é o fato de ele ser sempre igual.
É provável que eu passasse a noite em claro te esperando sentada na portaria do teu prédio. Que eu caminhasse muito e parecesse pouco se fosse pra te ter quente tentando me fazer dormir enquanto eu choro.
Talvez fosse a melhor resposta. Aquela opção tão óbvia que todo o resto pareceria tempo perdido.
Alguma coisa aconteceu, mas foi só pra mim. Alguma coisa aconteceu, mas a gente nunca vai saber.
Quando a gente se encontrou 2 anos depois, eu sorri um sorriso meio amarelo e dei um beijo no rosto dele porque queria que ele se sentisse bem.
Eu ainda acreditava que a única forma de isso acontecer era esconder a minha felicidade.
Não que eu estivesse feliz. Mas aquela esperança esmagadora que agora estava em todas as minhas frases e em cada fio de cabelo meu talvez fosse mal interpretada, você sabe.
Queria abraça-lo. Queria agradecer em silêncio pelo fim da mágoa. Pelos dias em que ele me beijou antes de sair enquanto eu fingia que ainda dormia. Por ter cuidado de mim. Por ter segurado minha mão no frio, na chuva, nos eventos sociais desconcertantes.
A gente nunca tem essa oportunidade no fim das contas. Nessas horas a gente só enxerga o tédio, a fuga, todas as opções melhores. Só encontra os motivos pra brigar, como se todo aquele tempo tivesse sido - só e sempre - disso.
Queria um abraço de cinco minutos em que se diz tudo.
Mas eu só sorri um sorriso amarelo.
Eu ainda acreditava que a única forma de isso acontecer era esconder a minha felicidade.
Não que eu estivesse feliz. Mas aquela esperança esmagadora que agora estava em todas as minhas frases e em cada fio de cabelo meu talvez fosse mal interpretada, você sabe.
Queria abraça-lo. Queria agradecer em silêncio pelo fim da mágoa. Pelos dias em que ele me beijou antes de sair enquanto eu fingia que ainda dormia. Por ter cuidado de mim. Por ter segurado minha mão no frio, na chuva, nos eventos sociais desconcertantes.
A gente nunca tem essa oportunidade no fim das contas. Nessas horas a gente só enxerga o tédio, a fuga, todas as opções melhores. Só encontra os motivos pra brigar, como se todo aquele tempo tivesse sido - só e sempre - disso.
Queria um abraço de cinco minutos em que se diz tudo.
Mas eu só sorri um sorriso amarelo.
domingo, fevereiro 21, 2010
Psicotrópico
Queria que não fosse amor.
Queria que não fosse algo que eu já senti tanto, de tantas formas.
Eu queria que o que eu sinto por você fosse algo novo.
Como o silêncio, o vento no rosto numa noite de verão.
Eu queria que com você fosse o primeiro mergulho. O primeiro abraço que me envolve do jeito certo.
Queria você na luz, eu ao lado, e a tua voz todos os dias: vamos lá?
Queria que não fosse amor.
Queria que não fosse algo que eu já senti tanto, de tantas formas.
Eu queria que o que eu sinto por você fosse algo novo.
Como o silêncio, o vento no rosto numa noite de verão.
Eu queria que com você fosse o primeiro mergulho. O primeiro abraço que me envolve do jeito certo.
Queria você na luz, eu ao lado, e a tua voz todos os dias: vamos lá?
sábado, julho 25, 2009
quarta-feira, setembro 20, 2006
terça-feira, dezembro 27, 2005
quarta-feira, setembro 21, 2005
domingo, setembro 04, 2005
SAI!
Ele entrou pelos meus poros, eu acho, mas não tenho certeza. Só sei que procurou por todos os cantos e eu sentia quando ele passava, principalmente pelo lado esquerdo, percorrendo meus braços, meus pulmões e meus dedos dos pés em busca do que tinha perdido.
Não foi culpa minha, eu juro.
Até que ele encontrou. Mas só conseguiu chegar lá com a boca, então mordeu-o com toda força, enquanto usava braços e mãos pra tentar arrastá-lo pra fora. Em vão. Largou e sentiu o sangue (se é que podia se chamar assim) escorrendo entre os dentes. Engoliu.
Senti o lado esquerdo.
Senti que ele desistia, abrigado em algum lugar perto da última vértebra.
Coloquei o dedo entre a última e penúltima vértebra. Ele sorriu. Mordeu novamente. Usou todas as suas forças, e os dentes, e as mãos, e os pés apoiados nos meus músculos.
Ele entrou pelos meus poros, eu acho, mas não tenho certeza. Só sei que procurou por todos os cantos e eu sentia quando ele passava, principalmente pelo lado esquerdo, percorrendo meus braços, meus pulmões e meus dedos dos pés em busca do que tinha perdido.
Não foi culpa minha, eu juro.
Até que ele encontrou. Mas só conseguiu chegar lá com a boca, então mordeu-o com toda força, enquanto usava braços e mãos pra tentar arrastá-lo pra fora. Em vão. Largou e sentiu o sangue (se é que podia se chamar assim) escorrendo entre os dentes. Engoliu.
Senti o lado esquerdo.
Senti que ele desistia, abrigado em algum lugar perto da última vértebra.
Coloquei o dedo entre a última e penúltima vértebra. Ele sorriu. Mordeu novamente. Usou todas as suas forças, e os dentes, e as mãos, e os pés apoiados nos meus músculos.
segunda-feira, junho 27, 2005
Sabe, eu ainda quero ser uma escritora falida, mas eu acho que eu só quero ser isso quando estou contigo. Você é meu... você sabe. Aquele cara das horas, mas sem aids.
Isso não quer dizer que a gente nunca transaria, porque você não teria aquele aspecto e você até que é.. bom, você entende.
Assim como você entende o fato de eu ter ficado com alguém que depois bateu no teu carro e não pagou. E entende o fato de eu rir muito toda vez que lembro disso.
Bom, não foi muito uma questão de opção porque você apenas não estava lá. E isso eu falo por falar. Só porque não dá pra voltar mas você sabe que eu te amo mesmo assim.
Isso não quer dizer que a gente nunca transaria, porque você não teria aquele aspecto e você até que é.. bom, você entende.
Assim como você entende o fato de eu ter ficado com alguém que depois bateu no teu carro e não pagou. E entende o fato de eu rir muito toda vez que lembro disso.
Bom, não foi muito uma questão de opção porque você apenas não estava lá. E isso eu falo por falar. Só porque não dá pra voltar mas você sabe que eu te amo mesmo assim.