domingo, fevereiro 28, 2010

Ficção n. 12 ou só uma dorzinha por hoje

Não sei se é a menor cidade do mundo, a luz da tua casa acesa não muito longe daqui. O lugar onde você vai quando eu não te vejo. Não sei se é a beleza e a breguice do teu sorriso ou se é o fato de ele ser sempre igual.
É provável que eu passasse a noite em claro te esperando sentada na portaria do teu prédio. Que eu caminhasse muito e parecesse pouco se fosse pra te ter quente tentando me fazer dormir enquanto eu choro.
Talvez fosse a melhor resposta. Aquela opção tão óbvia que todo o resto pareceria tempo perdido.

Alguma coisa aconteceu, mas foi só pra mim. Alguma coisa aconteceu, mas a gente nunca vai saber.
Quando a gente se encontrou 2 anos depois, eu sorri um sorriso meio amarelo e dei um beijo no rosto dele porque queria que ele se sentisse bem.

Eu ainda acreditava que a única forma de isso acontecer era esconder a minha felicidade.
Não que eu estivesse feliz. Mas aquela esperança esmagadora que agora estava em todas as minhas frases e em cada fio de cabelo meu talvez fosse mal interpretada, você sabe.

Queria abraça-lo. Queria agradecer em silêncio pelo fim da mágoa. Pelos dias em que ele me beijou antes de sair enquanto eu fingia que ainda dormia. Por ter cuidado de mim. Por ter segurado minha mão no frio, na chuva, nos eventos sociais desconcertantes.

A gente nunca tem essa oportunidade no fim das contas. Nessas horas a gente só enxerga o tédio, a fuga, todas as opções melhores. Só encontra os motivos pra brigar, como se todo aquele tempo tivesse sido - só e sempre - disso.

Queria um abraço de cinco minutos em que se diz tudo.

Mas eu só sorri um sorriso amarelo.

domingo, fevereiro 21, 2010

Psicotrópico

Queria que não fosse amor.
Queria que não fosse algo que eu já senti tanto, de tantas formas.
Eu queria que o que eu sinto por você fosse algo novo.
Como o silêncio, o vento no rosto numa noite de verão.

Eu queria que com você fosse o primeiro mergulho. O primeiro abraço que me envolve do jeito certo.

Queria você na luz, eu ao lado, e a tua voz todos os dias: vamos lá?

sábado, julho 25, 2009

Eu daria todo o tempo que se passou só pra ter cinco minutos, no escuro, em silêncio e anônima, observando a pessoa mais bonita que eu conheci em meio a tanta, tanta gente pequena.

Mas você deve estar ocupado agora.

quinta-feira, junho 12, 2008

Nesse lance de eu e você
Sou exatamente o que não quero ser.

quarta-feira, setembro 20, 2006

01. this is hardcore

Eu não quero ninguém que seja bom o bastante pra mim.
Eu quero você.

terça-feira, dezembro 27, 2005

hoje eu conversei com uma tia avó.

chorei.

mas o mais importante de tudo é que quando ela falava "paixão" ela se referia a algo ruim. do tipo: "fulana tinha uma paixão com fulano."

pois é. sensatez.

quarta-feira, setembro 21, 2005

vai passar, vai passar.

eu só preciso de novo da tua mão tremendo e do teu sorriso. algo que garanta que é pra sempre, pra eu poder te deixar mais uma vez.

domingo, setembro 04, 2005

SAI!

Ele entrou pelos meus poros, eu acho, mas não tenho certeza. Só sei que procurou por todos os cantos e eu sentia quando ele passava, principalmente pelo lado esquerdo, percorrendo meus braços, meus pulmões e meus dedos dos pés em busca do que tinha perdido.
Não foi culpa minha, eu juro.
Até que ele encontrou. Mas só conseguiu chegar lá com a boca, então mordeu-o com toda força, enquanto usava braços e mãos pra tentar arrastá-lo pra fora. Em vão. Largou e sentiu o sangue (se é que podia se chamar assim) escorrendo entre os dentes. Engoliu.
Senti o lado esquerdo.
Senti que ele desistia, abrigado em algum lugar perto da última vértebra.
Coloquei o dedo entre a última e penúltima vértebra. Ele sorriu. Mordeu novamente. Usou todas as suas forças, e os dentes, e as mãos, e os pés apoiados nos meus músculos.

segunda-feira, junho 27, 2005

Sabe, eu ainda quero ser uma escritora falida, mas eu acho que eu só quero ser isso quando estou contigo. Você é meu... você sabe. Aquele cara das horas, mas sem aids.
Isso não quer dizer que a gente nunca transaria, porque você não teria aquele aspecto e você até que é.. bom, você entende.
Assim como você entende o fato de eu ter ficado com alguém que depois bateu no teu carro e não pagou. E entende o fato de eu rir muito toda vez que lembro disso.
Bom, não foi muito uma questão de opção porque você apenas não estava lá. E isso eu falo por falar. Só porque não dá pra voltar mas você sabe que eu te amo mesmo assim.

sábado, abril 23, 2005

Diálogo.

Eu lembro, mas é bem vagamente. Do teu sorriso ao me ver, que eu mal consigo transcrever dos meus olhos pra minha memória, de tão foda.

Mas eu lembro. E lembro que talvez seja sempre você a única pessoa que me faz sentir... bem. (O que não deveria ser tão difícil assim, mas é.)

E é fácil fechar meus olhos e te ver sorrindo, com o tal sorriso, pedindo meu abraço, porque "sou tão quentinha". E o teu jeito de colocar as mangas das jaquetas por cima das mãos e o teu sempre frio e o meu sempre erro e sempre.

Eu lembro, assim. É claro que lembro.

O que eu sempre esqueço é que mesmo assim a gente nunca é.

domingo, abril 17, 2005

Você sempre está certo, até quando provoca essas palpitações estranhas em mim.

Quando quase bate o carro.
Quando desliga no segundo em que eu ía dizer.

Você sempre está certo mas o seu maior defeito é saber disso. E o meu é concordar. Você está certo quando faz acreditar que tudo que eu tenho está errado, que deveria mudar. Você consegue me provar sem palavras que eu preciso apagar o meu melhor poema.

Você precisa estar coberto de razão, porque eu suo frio, e tremo, e emagreço e choro e leio e me torno uma pessoa melhor com todos aqueles livros e aquelas canções que eu aprendi a tocar só pra que você sinta algo mais por mim.

Você está certo, porque eu estou errada.
Preciso estar.


Isso é uma ficção.

domingo, outubro 10, 2004

cada molécula

Oi meu anjo

Bom, são seis da manhã e você tá dormindo no sofá. Você continua de tênis e o apartamento tá uma bagunça. Tentei ajudar colocando todas as latas de cerveja numa sacola no canto da cozinha, mas sei que isso não faz diferença nenhuma pra você.
Meu ônibus sai daqui a 40 min, mas eu não consigo te acordar. Eu sei que você tem sono leve, mas se você se visse dormindo tão calmo também não teria coragem de interromper. Imagino com o que você possa estar sonhando, agora que a tua vida é como a gente sempre sonhou. E isso me faz sorrir de um jeito que eu não imagino melhor.
E dá aquela vontade de chorar que você deve saber qual é. Assim como ontem quando te vi com outra pessoa. Meio por felicidade e meio por querer estar sentindo isso junto com você. Ou por alguma coisa que nada nem ninguém no mundo consegue explicar. Eu só... sei.
E eu sei que "isso", "assim", é só você que me faz sentir. Mesmo sem querer. Mesmo com erros, e tempos, e coincidências que a gente nunca chegou a planejar.
É. Mas devaneios não são saudáveis e a gente sabe disso muito bem. (Alguma coisa a gente tem que aprender, né?).

Obrigada por ter me agüentado tomando café durante 90% dos últimos dias. Eu sei o quanto você odeia esse meu hábito.
Eu te desculpo pelas crises que você causa em mim.
E a gente se desculpa por não fumar. Porque seria muito mais 'cult' assim.

Te cuida e cuida da tua coleção de CDs, pra nenhuma outra pessoa fazer o mesmo que eu, que além de estar pegando os meus de volta estou levando alguns dos seus preferidos. Obrigada por isso também.

Se o meu namorado ligar aqui de novo, diga que eu já tô voltando.

O Táxi chegou.

Eu t.

sexta-feira, junho 18, 2004

"Eu sei que é brega, mas o amor é brega".

Eu não entendo como não me apaixonar por alguém assim. E eu sei que isso também é brega, como milhões de outras coisas.
Como querer só dormir. Querer alguém "tão perto" pra só dormir e reclamar mais um pouco da vida, porque no final das contas isso é tudo que eu sei fazer. (Assim como eu ia querer o tal alguém pra encaixar a cabeça entre os braços dele de algum jeito que a anatomia não conseguisse explicar pra derramar todas as minhas lágrimas se assim eu o quisesse.)
É, mas é brega.

É.

sexta-feira, março 26, 2004

onomatopéias

ai.
um 'aaaaaaai' assim bem alongado.
pra toda vez que tu faz alguma coisa que me faz ter a certeza de que um 'não' dói mais, nesse caso.
pra todo suspiro ao telefone.
pra todo beijo no pescoço.
pra todo abraço.
pra todo piscar
dos teus olhos.
ai, porra.
.

quinta-feira, março 18, 2004

Lição do dia

Quanto mais você me conhece,
Mais baixos são os teus golpes.

Mas sabe do quê?
Ninguém me conhece tanto assim.
Nem você.
Só eu sei (achar) que minha inconstância tem cura, sim. E que um dia alguém vai me derrotar. E foder com os meus conceitos. E me fazer chorar pra caralho. Vai sim, e quem sabe até seja ele.

Ou não.
É o próximo.
Ou o outro.
Sempre continua.

"O problema é que você sempre tem alguém."

Pois é. Eu sei.

sábado, fevereiro 21, 2004

des - moronando

mulher tem disso. às vezes nada é o bastante, e eu odeio isso, em mim. odeio quando os hormônios e as ambigüidades combinam de foder com as minhas - quaisquer - certezas. odeio quando a paranóia é tanta que chega a... confundir, de fato. odeio não conseguir controlar isso. assim como às vezes eu não controlo uma parte sequer do meu corpo (e você parece conhecer muito bem essas 'vezes'), em outras (agora, e obviamente você 'não tá' aqui) eu não controlo algo de 'dentro'. e daí os sorrisos não valem. os beijos se anulam. os abraços se desfazem. e tudo que e-ra doce... pfff.

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

it's easy but it seems so hard

Medo. Eu não sei por que soa tão absurdo assim. É "só" medo. Medo de você não vir buscar seus CDs aqui em casa. Medo de eu não ter mais por quem suspirar. Medo de continuar sentindo medo. Medo de não ter mais com quem falar durante horas-e-horas. Medo de não ter alguém do qual eu possa me despedir 5 vezes e continuar do lado. Medo das coisas que cabem nesse espação entre a gente. Medo de esquecer todas as "manhas" do teu carro. Medo de te acordar cinco e quinze pra você ir embora e você não estar mais lá. Medo de não ter alguém pra reclamar do que eu ouço. E pra reclamar do que eu gravo. Medo de não ter pra quem falar sobre como foi o meu dia. Medo de enlouquecer de vez. Medo de não acreditar, nunca mais. Medo de doer.

domingo, janeiro 25, 2004

faz muito tempo.
hoje to com mahogany na cabeça.
e sei o que ouvir pra dormir.
cd pra dormir.
e não é snow patrol.

terça-feira, janeiro 06, 2004

ou você ainda tá do meu lado longe daqui

ou você ainda vive só dentro de mim
e ficaram as malas e armários vazios
cinzas de cigarro e dias frios
teu rosto amassado
embaixo do cobertor
ou então
eu nunca quis você não me quis
alguém que só viva (ainda) dentro de mim
assim como teus sorrisos
sempre tão indecisos
eu vou te ligar em todo natal
ou só entender
dois pontos pra mim (,que bom)
mas (são) três pra você.